Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Israel quer vetar ajuda do Irã à Palestina

O governo israelense quer impedir que a ajuda financeira oferecida pelo Irã chegue aos palestinos. Os recursos foram prometidos para a Autoridade Nacional Palestina (ANP) foram classificados como "empréstimo de investimento terrorista", referindo-se ao Hamas, que lidera o Parlamento palestino. Porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Mark Regev disse nesta quinta-feira que "o dinheiro estará sendo revertido para uma liderança terrorista". (Leia Mais)

Quarta, 22 de Fevereiro de 2006 às 17:17, por: CdB

O governo israelense quer impedir que a ajuda financeira oferecida pelo Irã chegue aos palestinos. Os recursos foram prometidos para a Autoridade Nacional Palestina (ANP) foram classificados como "empréstimo de investimento terrorista", referindo-se ao Hamas, que lidera o Parlamento palestino. Porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Mark Regev disse nesta quinta-feira que "o dinheiro estará sendo revertido para uma liderança terrorista". O Hamas é classificado por Israel, Estados Unidos e União Européia como uma organização ligada ao terror. Segundo o ministro, "Israel terá o direito de utilizar todos os meios legais para impedir que o dinheiro chegue a seu destino".

Irã ajudará financeiramente o governo palestino dirigido pelo movimento radical Hamas para compensar o bloqueio de recursos por Israel para a ANP.

- Vamos ajudar financeiramente este governo para destruir a crueldade dos Estados Unidos em relação à Autoridade Nacional Palestina - disse Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo da Segurança Nacional do Irã, depois de uma reunião com o chefe político do Hamas, Khaled Mechaal.

Mechaal, em visita a Teerã desde domingo (19), já conseguiu o apoio moral do guia supremo aiatolá Ali Khamenei. Mas é a primeira vez que um dirigente iraniano confirma uma ajuda financeira ao novo governo palestino. As finanças da ANP estão ameaçadas pela decisão de Israel de congelar uma parte dos recursos provenientes de impostos que deveria ser repassada. O Estado hebreu tomou a medida após a vitória do Hamas nas eleições legislativas palestinas de 25 de janeiro.

O Departamento de Estado americano explicou que "compreende" a decisão de Israel, e o presidente George W. Bush ressaltou ontem que os Estados Unidos não deveriam "fazer doações a um governo que não é parceiro da paz". O porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Mark Regev, afirmou ainda que a liderança palestina deve decidir se quer fazer parte da "comunidade internacional legítima" ou se deseja, "por suas próprias ações, alinhar-se com nações que são párias internacionais [referindo-se a países acusados de desenvolver ações terroristas]".

Israel diz considerar o Irã um "pária internacional" devido a seu apoio a grupos como o Hamas e o Hizbollah, e acusa o país de produzir armas nucleares --acusação negada por Teerã.

Ajuda muçulmana

O Irã sempre apoiou o Hamas e se recusa a reconhecer a existência de Israel. Nesta segunda-feira, o aiatolá Ali Khamenei havia proposto "elaborar um plano para que todos os muçulmanos possam conceder (...) uma ajuda anual financeira aos palestinos". Nesta ocasião, Khamenei se alinhou com a posição do Hamas, que se "recusa a reconhecer o Estado de Israel e a realizar discussões com os israelenses". Além disso, o Hamas exige o "retorno dos refugiados palestinos e pede que Jerusalém seja a capital da Palestina". "O respeito às linhas de fronteira é o único caminho que pode levar à vitória", estimou.

Por sua vez, Mechaal minimizou ontem o impacto da decisão israelense de congelar os fundos devidos à ANP, considerando a medida, no entanto, "injusta".

- Teremos alguns problemas (...), mas poderemos recompensá-los com o apoio do mundo árabe e islâmico - assegurou Mechaal, depois de uma reunião com o chefe da diplomacia iraniana, Manouchehr Mottaki.

O chanceler iraniano havia afirmado que Teerã apoiava "uma proposta do primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi, para que a OCI [Organização da Conferência Islâmica, que reúne os países muçulmanos] ajude o governo e o povo palestino". Mechaal, que mora na Síria, realiza uma viagem aos países da região depois da vitória de seu movimento nas eleições legislativas. De passagem por Teerã em dezembro de 2005, ele ofereceu o apoio do Hamas à República Islâmica, assegurando que o Hamas atacaria Israel se o país atacasse o Irã.

'Racista'

Fazendo coro à p

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