Israel pretende abandonar a Faixa de Gaza até o final de 2005, mas vai manter para si o direito de atacar diante de eventuais ameaças surgidas no território litorâneo, segundo o plano do primeiro-ministro Ariel Sharon.
O documento, obtido pela Reuters depois de ser endossado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante o encontro desta semana entre os dois líderes na Casa Branca, também confirma rumores de que Israel vai manter o controle militar de um corredor na fronteira entre Gaza e o Egito.
Mas o texto propõe pela primeira vez que Israel amplie o corredor de fronteira, que hoje é de 100 metros. Forças israelenses já encontraram na região vários túneis usados para o contrabando de armas por militantes palestinos.
Bush irritou os palestinos na última quarta-feira quando, ao anunciar apoio ao plano unilateral de Sharon, declarou que Israel poderá no futuro manter partes da Cisjordânia, região palestina capturada durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Dessa forma, o presidente rompeu décadas de política norte-americana para o Oriente Médio.
A proposta lida pela Reuters não estabelece uma data para o fim da retirada da Faixa de Gaza, onde vivem 1,3 milhão de palestinos e 7.800 colonos judeus. Mas os termos do documento mostram que Israel não descarta manter sua política de atacar militantes em ações militares, como vem fazendo nos últimos três anos e meio.
``O processo de retirada está planejado para estar completo até o final de 2005'', diz o texto. ``Israel se reserva o direito básico de autodefesa, inclusive de tomar medidas preventivas e de responder usando a força contra ameaças que surjam na Faixa de Gaza.''
Sharon ainda precisa conseguir apoio do seu partido, o Likud, de direita, ao plano. Seus 200 mil membros realizam um referendo sobre o tema em 2 de maio. Pesquisas publicadas nos diários Maariv e Yedioth Ahronoth indicam que a aprovação deve ocorrer no partido. Com isso, seriam desmantelados 20 assentamentos judaicos na Faixa de Gaza e quatro na Cisjordânia.