O novo governo de Israel deve assumir nesta quinta-feira com planos de estabelecer as fronteiras permanentes do Estado judeu com ou sem a concordância dos palestinos.
- As fronteiras de Israel, que serão formadas nos próximos anos, serão significativamente diferentes dos territórios sob o controle de Israel hoje - disse o primeiro-ministro interino, Ehud Olmert, em discurso ao Parlamento.
Olmert vai liderar uma coalizão do partido Kadima, que ganhou a eleição em março, com os partidos Trabalhista, dos aposentados e com o ultraortodoxo Shas, garantindo-lhe 67 das 120 cadeiras do Parlamento. Os acordos de coalizão, fechados depois de negociações realizadas nas últimas semanas, garantem que o voto parlamentar será apenas uma formalidade.
Olmert prometeu estabelecer as fronteiras de Israel até 2010. Ele afirma que vai retirar assentamentos isolados da Cisjordânia e incentivar os grandes blocos se não houver acordo com os palestinos, cujo governo é liderado pelo grupo militante islâmico Hamas. Olmert, que assumiu no lugar de Ariel Sharon em janeiro, depois do derrame que deixou o ex-premiê em coma, enfrentará desafios de partidos nacionalistas e de direita que querem impedir seus planos de retirar alguns dos colonos da Cisjordânia.
A Corte Mundial determinou que todos os assentamentos em territórios ocupados são ilegais. Israel questiona isso. O vice de Olmert, Shimon Peres, disse que o premiê deverá encontrar-se com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, depois de uma visita a Washington neste mês, em busca de apoio do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para os seus planos.
Abbas exortou Israel a retomar as negociações de paz e disse ao jornal israelense Maariv que ele colocará qualquer acordo em votação em referendo, deixando o governo do Hamas de lado.
- É minha intenção levar os resultados das negociações (com Israel), se e quando terminarem, ao povo palestino em forma de referendo, para dar ao povo palestino o direito de decidir - disse.
Autoridades israelenses disseram que há poucas chances de negociar a paz até que o governo liderado pelo Hamas renuncie à violência, reconheça Israel e aceite os atuais acordos de paz com o Estado judaico. O Hamas, que busca a destruição de Israel, afirma que as negociações com o país são uma perda de tempo. O grupo ganhou o controle do governo nas eleições de janeiro. O Kadima tem apenas 29 cadeiras no Parlamento, então Olmert precisa dos parceiros da coalizão para levar adiante seus planos e manter a maioria parlamentar para o mandato de quatro anos. Ele não descartou aceitar outros partidos na coalizão.
Diversos governos de Israel caíram durante a última década devido à violência com os palestinos, lutas pelo poder e crescimento da força dos partidos pequenos.