Israel pretende acelerar sua retirada da Faixa de Gaza neste verão, em uma tentativa de evitar um confronto com colonos judeus que se recusam a deixar seus assentamentos, disseram autoridades do governo na sexta-feira.
"O ministro da Defesa Shaul Mofaz quer completar a retirada em quatro semanas, ao invés de em sete (semanas)", disse uma das autoridades.
Segundo as autoridades, um período mais curto para a retirada dos 21 assentamentos judeus de Gaza, que deve acontecer em quatro fases a partir de 20 de julho, poderia evitar que as tensões se inflamassem em meio aos colonos e seus simpatizantes.
Israel pretende deslocar milhares de policiais e soldados para o território ocupado durante a retirada, em meio a temores de que alguns colonos possam responder violentamente às tentativas de removê-los.
Autoridades representando os colonos judeus pediram uma resistência pacífica, mas a proteção foi intensificada para o premiê Ariel Sharon e outros líderes do governo, acusados por alguns rabinos e colonos linha-dura de levar os judeus a outro Holocausto.
O gabinete de Sharon aprovou a saída de Gaza nesta semana, abrindo caminho para a primeira retirada de colonos de terras reivindicadas pelos palestinos para um Estado soberano.
Autoridades governamentais disseram que uma retirada mais eficiente poderia se encaixar nos planos de Israel de tentar vender as estruturas e bens dos assentamentos, como estufas, para investidores ou órgãos internacionais, em vez de demoli-los.
As forças israelenses vão barrar a presença de palestinos nos assentamentos evacuados até que o último tenha sido esvaziado, e deixar as estufas abandonadas durante muito tempo poderia diminuir o valor delas e tornar mais difícil aos fazendeiros palestinos aproveitá-las, acrescentaram as autoridades.
Sharon disse que agora planeja coordenar a retirada com o presidente palestino Mahmoud Abbas. Enquanto Yasser Arafat vivia, ele apresentou a retirada como um movimento unilateral, na ausência de um parceiro palestino para a paz.
A violência caiu de maneira acentuada desde a eleição de Abbas no mês passado e desde o cessar-fogo que ele e Sharon declararam na cúpula no Egito em 8 de fevereiro. Mas em um novo episódio violento, soldados israelenses mataram um palestino que descobriram tentando entrar em Israel a partir de Gaza.
Segundo uma fonte militar, ele estava desarmado e autoridades da área de segurança palestina disseram que ele poderia estar tentando entrar em Israel atrás de trabalho.
Uma reportagem no jornal israelense Yedioth Ahronoth, dizendo que 6.391 casas para os colonos deveriam ser construídas este ano na Cisjordânia -- um aumento pronunciado com relação a 2004 --, provocou um pedido palestino por intervenção diplomática dos Estados Unidos. No entanto, um porta-voz para a agência do governo israelense, citada pelo jornal como estando por trás do plano, disse que a proposta foi feita em 2003 e nunca recebeu uma aprovação final.
Respondendo à matéria do jornal, o gabinete de Mofaz disse que havia aprovado permissão para a construção de "um número limitado de unidades habitacionais" nos assentamentos. O comunicado não fornecia números.
Há cerca de 225 mil colonos vivendo atualmente na Cisjordânia.