Mísseis israelenses atingiram supostos alvos do grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza, nesta segunda-feira, dia em que membros das forças de segurança confirmaram planos de atacar líderes ativistas depois do duplo atentado suicida ocorrido nesta domingoem uma das mais importantes instalações de Israel.
O primeiro-ministro do país, Ariel Sharon, suspendeu a realização de uma reunião cúpula de paz com os palestinos depois dos atentados, que mataram dez pessoas no porto de Ashdod, no domingo, e levantaram dúvidas sobre a vulnerabilidade do Estado judaico.
Segundo forças de segurança, o ataque aéreo, que destruiu duas fundições acusadas de fabricar armas para os ativistas, seria acompanhado de outras medidas de represália. O atentado de domingo foi o primeiro com vítimas fatais realizado contra um alvo estratégico de Israel.
Autoridades israelenses e ativistas palestinos deixaram claras suas intenções de ferir ao máximo uns aos outros a fim de reclamar a vitória sobre o eventual desmantelamento dos assentamentos judaicos da Faixa de Gaza, conforme prevê um plano de Sharon.
``Haverá assassinatos de pessoas alvo e outras medidas'', disse um integrante das forças de segurança. ``Os alvos são quaisquer membros dos grupos ativistas.''
A autoridade israelense disse que não poderia ser descartada a possibilidade de um ataque contra o líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin. O clérigo, quase cego e preso a uma cadeira de rodas, ficou ferido em uma investida aérea realizada na Faixa de Gaza em setembro passado.
Os palestinos dizem que tais ataques são assassinatos patrocinados pelo Estado. Israel afirmar agir em legítima defesa.
Em meio ao aumento das tensões, Yisrael Katz, membro do gabinete israelense e um político de direita, renovou seus apelos para a expulsão do presidente palestino, Yasser Arafat, dos territórios ocupados. Uma medida considerada improvável devido à oposição declarada dos EUA.
Os atentados de domingo, realizados por dois jovens de 17 e de 18 anos vindos de um campo de refugiados de Gaza, foram os primeiros saídos da região desde o começo do levante, em setembro de 2000. Os ativistas tinham prometido se vingar depois da operação militar realizada por Israel, na Faixa de Gaza, em 7 de março, que deixou 14 mortos.
Antes do amanhecer desta segunda-feira, helicópteros dispararam dez mísseis contra supostas instalações de ativistas em Gaza, interrompendo o fornecimento de energia elétrica.