Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Israel pretende deixar parte da Cisjordânia ocupada à Palestina

Primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert planeja uma retirada unilateral de assentamentos da Cisjordânia ocupada, se ganhar a eleição geral de 28 de março, disseram fontes políticas neste domingo. (Leia Mais)

Domingo, 05 de Março de 2006 às 07:48, por: CdB

Primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert planeja uma retirada unilateral de assentamentos da Cisjordânia ocupada, se ganhar a eleição geral de 28 de março, disseram fontes políticas neste domingo. Olmert vai procurar apoio dos Estados Uniodos antes de trabalhar na proposta, que prevê a remoção de alguns assentamentos isolados de territórios que Israel capturou na guerra de 1967 e que os palestinos querem para formar um Estado.

Segundo o plano, os colonos serão realocados para os grandes blocos de assentamentos, mas Israel não faria uma retirada militar dos territórios, conforme aconteceu no ano passado, na Faixa de Gaza. Olmert já havia falado sobre a idéia de retirada e de sua determinação de estabelecer as fronteiras definitivas de Israel, mas o plano revelado no domingo deu mais detalhes.

Pesquisas mostram que os israelenses seriam favoráveis a retiradas deste tipo e a divulgação de detalhes podem ajudar o partido Kadima, de Olmert, que perdeu parte da grande liderança nas sondagens de opinião. Os palestinos saúdam retiradas de territórios ocupados, mas temem que Israel negue a formação de um Estado se atuar de maneira unilateral.

- Só vai trazer mais complicações, isso significa ditar, e não negociar - disse o negociador palestino Saeb Erekat, em reação às notícias sobre o plano de Olmert.

Judeus ultranacionalistas estão furiosos com a perspectiva de entrega de territórios que consideram seu por direito bíblico. Fontes políticas disseram que o plano, que teve detalhes divulgados na mídia de Israel, está sendo debatido somente em particular. Autoridades israelenses vêem a vitória dos do Hamas na eleição palestina de janeiro como mais um incentivo para medidas unilaterais e como um fator que aumenta a chance de aceitação diplomática de tais ações.

Mas não está claro se o plano teria apoio do governo dos EUA, que pediu a implementação do plano de paz "mapa do caminho". O plano estabelece passos para ambos os lados adotarem na direção de um acordo negociado. Nenhum deles cumpriu seus compromissos.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, criticou o plano neste domingo, dizendo que o objetivo de Israel é "forçar medidas unilaterais e criar novos fatos no terreno". Olmert deixou que não vai abrir mão dos maiores assentamentos judaicos, Maale Adumim e Ariel, bem como o bloco de Gush Etzion, ao sul de Jerusalém. Ele também disse que pode não entregar o Vale do Jordão, a leste, por motivos estratégicos.

A proposta segue a linha da sugestão do primeiro-ministro Ariel Sharon, antes do derrame que o deixou incapacitado, no dia 4 de janeiro.

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