Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2026

Israel prepara ofensiva militar contra militantes palestinos

Tanques e tropas israelenses foram concentrados perto de Gaza, nesta terça-feira, para a ofensiva contra militantes palestinos. Israel disse que atingirá líderes do Hamas se o soldado seqüestrado não for libertado. (Leia Mais)

Terça, 27 de Junho de 2006 às 05:08, por: CdB

Tanques e tropas israelenses foram concentrados perto de Gaza, nesta terça-feira, para a ofensiva contra militantes palestinos. Israel disse que atingirá líderes do Hamas se o soldado seqüestrado não for libertado.

No norte de Gaza, palestinos bloquearam estradas com entulho e arame farpado. Militantes carregando fuzis automáticos e foguetes anti-tanque patrulham as ruas e a tensão na fronteira chegou ao ponto máximo desde que Israel saiu de Gaza, há quase um ano.

Os Estados Unidos exortaram Israel a dar uma chance à diplomacia para conseguir a libertação do soldado Gilad Shalit, de 19 anos, que foi sequestrado no domingo por militantes palestinos em um ataque a um posto de fronteira. Durante a ação, dois soldados morreram.

Israel disse que os líderes do Hamas, que assumiu o governo palestino, podem virar alvos de assassinato, incluindo o comandante supremo do grupo, Khaled Meshaal, que vive no exílio em Damasco.

O braço armado do Hamas disse que realizou o ataque de domingo, em conjunto com outras facções, mas não admitiu estar com Shalit.

- Eles têm que entender uma coisa: ninguém está imune, incluindo Khaled Meshaal. Ninguém está imune - disse o ministro de gabinete e ex-general israelense Benjamin Ben-Eliezer à Rádio do Exército.

Vestido com uniforme militar e segurando um rifle AK-47, Abu Ubaida, porta-voz do braço armado do Hamas, advertiu Israel sobre uma resposta violenta se as forças voltarem a invadir Gaza.

- O inimigo vai se arrepender do momento que fizer uma ação em Gaza. O preço será muito pesado -  afirmou.

Em Nizmit Hill, ao lado da fronteira com Gaza, cerca de 100 tanques israelenses e blindados de transporte estão alinhados. Não foram feitas declarações sobre quando as tropas poderão entrar.

A mídia israelense disse que o governo também aprovou um plano de contingência para cortar o fornecimento de alimento, água e gás para a Faixa de Gaza caso o soldado não seja libertado.

O braço armado do Hamas, ao lado dos Comitês de Resistência Popular (PRC) e do Exército Islâmico, disse que Israel não terá informação sobre o soldado a não ser que liberte todos as mulheres e jovens palestinos mantidos em prisões israelenses. Autoridades israelenses e palestinas dizem que cerca de 100 mulheres e 300 jovens palestinos estão em prisões de Israel por acusação de violações de segurança. Israel rejeitou a exigência.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, responsabilizou o Hamas, que assumiu o governo em março, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, pelo ataque de domingo.

- Está chegando o momento de uma operação ampla, dura e severa de Israel. Não vamos esperar para sempre - disse.

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, pediu calma.

- É realmente necessário um esforço agora para tentar acalmar a situação -  disse Rice a repórteres a caminho do Paquistão.

Grupos militantes disseram que o ataque de domingo foi uma resposta às mortes de 14 civis palestinos em ataques aéreos israelenses contra militantes em Gaza, depois de disparos de foguetes a partir do território contra Israel.

O correspondente de assuntos militares da Televisão de Israel, que recebe informações regularmente sobre o Exército, disse que levará mais um dia para que sejam reunidas forças suficientes para uma operação terrestre.

Outros comentaristas de defesa em Israel disseram que Olmert pode não ter pressa para entrar em Gaza por temer que os militantes matem o soldado, mas que esperar muito pode resultar em aparência de fraqueza do governo.

Israel completou a retirada de colonos e soldados de Gaza em setembro, depois de 38 anos de ocupação.

Tags:
Edições digital e impressa