O governo de Israel pedirá aos Estados Unidos 2,2 bilhões de dólares, uma das quantias mais elevadas já solicitadas pelo país, para arcar com a desocupação da Faixa de Gaza e de parte da Cisjordânia, disseram fontes políticas israelenses nesta segunda-feira.
De acordo com o jornal Haaretz, o pedido será feito por assessores do primeiro-ministro Ariel Sharon a Elliot Abrams, funcionário do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, em uma reunião na noite desta segunda-feira.
O governo Bush aceitou em princípio ajudar a financiar a desocupação, segundo o Haaretz. Washington espera que a retirada de 9.000 colonos dos territórios ocupados, a partir de meados de agosto, dê o impulso necessário para a retomada do processo de paz na região.
Israel já recebe cerca de 2,8 bilhões de dólares em ajuda dos EUA, o que faz do país um dos maiores destinatários de verbas norte-americanas. Grande parte desse dinheiro vem na forma de doações para serem gastas com equipamentos militares norte-americanos.
A verba para a desocupação de Gaza seria o maior pacote de ajuda dos EUA a Israel desde 1992, quando Washington entregou 3 bilhões de dólares pelos danos provocados por mísseis iraquianos em Israel durante a Guerra do Golfo.
Quando Israel realizava negociações de paz com os sírios e os palestinos, em 2000, o então primeiro-ministro Ehud Barak pediu aos EUA 20 bilhões de dólares para bancar uma eventual retirada. Mas as negociações de paz não foram adiante.
A sólida aliança americano-israelense foi recentemente abalada pelas críticas do Pentágono à exportação de armas de Israel para a China. O ministro da Defesa, Shaul Mofaz, deve ir a Washington na próxima semana a fim de consertar o estrago.
O governo Bush também se mostra preocupado com a construção de uma enorme barreira israelense na Cisjordânia, pois a obra pode colocar em risco as futuras negociações com os palestinos.
Apesar de a opinião pública israelense apoiar a retirada, Sharon enfrenta a fúria dos religiosos nacionalistas, que vêem no gesto uma traição às reivindicações judaicas sobre essas áreas bíblicas e uma recompensa ao "terrorismo" palestino.
O custo da desocupação da Faixa de Gaza, que pela primeira vez provocará a destruição de assentamentos judaicos, está estimado em 8 bilhões de shekelim (1,74 bilhão de dólares).
Os colonos que sairão dos 21 assentamentos de Gaza e de 4 dos 120 da Cisjordânia estão sendo incentivados pelo governo a se transferirem para as subdesenvolvidas regiões da Galiléia e do Negev, mas para isso serão necessários pesados investimentos em infra-estrutura.
O governo vai distribuir esses gastos ao longo de três anos, para evitar uma explosão do déficit público.
O Haaretz ouviu de fontes do governo que o dinheiro norte-americano será destinado a fins militares, como o deslocamento de bases do Exército, e para melhorias na Galiléia e no Negev.
Os palestinos, que nesta semana receberam promessa de 3 bilhões de dólares em ajuda do Grupo dos Oito países industrializados mais ricos do mundo, querem Gaza de volta, mas temem que o plano seja um pretexto de Sharon para consolidar o domínio israelense na Cisjordânia e inviabilizar a criação do Estado palestino.
Esse temor é agravado pela construção da barreira na Cisjordânia. Israel diz que a obra serve para impedir a infiltração de militantes suicidas em seu território, mas a Corte Mundial a considera ilegal.
No domingo, Israel aprovou um trecho da barreira que, quando concluído, deve separar 55 mil palestinos de Jerusalém de seus empregos, escolas e hospitais, segundo cálculos das próprias autoridades.
Os palestinos, que reivindicam a parte leste de Jerusalém como sua capital, dizem que 100 mil pessoas serão afetadas pela barreira. Israel capturou Jerusalém Oriental na guerra de 1967 e posteriormente a anexou, numa medida não reconhecida internacionalmente.