O líder do partido de oposição israelense, o direitista Likud, Binyamin Netanyahu, disse que o primeiro-ministro Ehud Olmert deveria convocar uma eleição geral. Olmert anunciou na quarta-feira que vai deixar o cargo daqui a dois meses, assim que o seu partido, o Kadima, escolher um novo líder.
Netanyahu disse que o governo tinha "terminado sua missão" e era responsável por uma "série de fracassos".
– Este governo encerrou sua missão, independente de quem vai liderar o Kadima – afirmou.
– Todos neste governo são responsáveis por uma série de fracassos. Temos que deixar o povo decidir, através de novas eleições – afirmou.
Uma pesquisa de opinião divulgada pouco antes do anúncio de Olmert sugere que os eleitores israelenses pensam que Netanyahu seria o melhor primeiro-ministro, seguido da ministra do Exterior Tzipi Livni, que é do Kadima.
Eleições internas
O principal parceiro da coalizão de governo do Kadima, líder do Partido Trabalhista e ministro da Defesa Ehud Barak, afirmou que o Kadima pode formar um novo governo sem convocar novas eleições.
As eleições internas do Kadima estão marcadas para o dia 17 de setembro. Tzipi Livni é a favorita para substituir Olmert como líder do partido. Para a ministra, a decisão do primeiro-ministro foi difícil, porém correta.
Outro concorrente ao cargo de Olmert, o ministro dos Transportes Shaul Mofaz, disse que, se vencer a eleição do partido, acredita que poderá conseguir o apoio necessário para formar uma nova coalizão de governo.
Acusação de corrupção
Olmert, de 62 anos, sofria pressões, algumas de dentro do próprio governo, para renunciar desde que passou a ser investigado por diversas acusações de corrupção, que teriam sido cometidas na época em que ocupou os cargos de prefeito de Jerusalém (1993-2003) e ministro do Comércio (2003-2005).
O primeiro-ministro está sendo investigado por uma série de supostas irregularidades, incluindo ter recebido até US$ 150 mil de forma ilegal.
Olmert não nega que recebeu dinheiro, mas diz que os recursos foram usados legalmente em campanhas eleitorais. Além das acusações de corrupção, Olmert foi criticado pelo desempenho do Exército israelense na guerra que Israel travou com o Hezbollah no Líbano, em 2006.
Ao falar a repórteres sobre a sua decisão de renunciar, o premiê defendeu os seus dois anos de governo e disse que um acordo de paz com palestinos e sírios nunca esteve tão perto.
Um porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas disse que o anúncio de Olmert é "uma questão interna israelense" e os negociadores palestinos ainda esperam chegar a um acordo de paz até o fim de 2008.
Apesar da renúncia, assessores afirmam que ele pode permanecer no cargo tempo o bastante para fechar um acordo para a formação de um Estado palestino. Uma autoridade próxima a Olmert, que falou na condição de anonimato, disse que o premiê pretende chegar a um acordo com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, "antes de sair", seja no seu papel atual ou como interino.
Analistas, no entanto, duvidam que Olmert terá a musculatura política necessária para fechar compromissos, sejam eles relativos a negociações finais com os palestinos, ou nas atuais conversas com a Síria mediadas pela Turquia.
O Professor Gadi Wolfsfeld da Hebrew University concorda.
– Quem irá fechar acordos com ele quando todos sabem que ele não irá responder? Ele é um pato manco – disse.
Israel: oposição pressiona por eleições gerais
O líder do partido de oposição israelense, o direitista Likud, Binyamin Netanyahu, disse que o primeiro-ministro Ehud Olmert deveria convocar uma eleição geral. Olmert anunciou na quarta-feira que vai deixar o cargo daqui a dois meses, assim que o seu partido, o Kadima, escolher um novo líder. (Leia Mai)
Quinta, 31 de Julho de 2008 às 06:34, por: CdB