Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Israel ofereceu armas nucleares para o regime do <i>apartheid</i>

Segunda, 24 de Maio de 2010 às 08:15, por: CdB

Uma reportagem publicada pelo jornal britânico "Guardian" afirma que documentos secretos da África do Sul revelam que o regime do apartheid no país recebeu de Israel uma proposta de venda de armas nucleares. Segundo o jornal inglês, o então ministro da defesa sul-africano, PW Botha, pediu ogivas nucleares e o então ministro da defesa israelense, Shimon Peres, atual presidente do país, ofereceu armas em "três tamanhos". Os registros seriam a primeira prova documental de que o Estado de Israel possui armas nucleares, o que seu governo não nega nem confirma.

Em resposta ao texto, o gabinete de Peres divulgou comunicado afirmando que as conclusões do jornal são "baseadas em interpretação seletiva dos documentos da África do Sul e não são fatos concretos". O "Guardian" afirma que os documentos foram descobertos pelo acadêmico americano Sasha Polakow-Suransky durante pesquisa para um livro sobre as relações entre África do Sul e Israel.

"Israel nunca negociou troca de armas nucleares com a África do Sul. Não existe qualquer documento israelense ou assinatura israelense em um documento em que estas negociações foram realizadas", negou o comunicado do gabinete do presidente israelense.

Segundo o "Guardian", Botha e Peres teriam assinado um amplo acordo estabelecendo os laços militares entre os dois países, incluindo uma cláusula segundo a qual a "existência do acordo" deveria sem mantida em segredo. A reportagem afirma que Israel tentou impedir que, após o fim do apartheid, o governo sul-africano liberasse os documentos a pedido de Polakow-Suransky.

De acordo com os documentos, o governo do apartheid queria as ogivas nucleares para efeito de dissuasão e possíveis ataques a vizinhos. Segundo o jornal britânico, o pesquisador americano escreve em seu livro "The Unspoken Alliance", publicado esta semana nos Estados Unidos, que autoridades de Israel "se ofereceram formalmente para vender para a África do Sul alguns dos mísseis Jericho com capacidade nuclear de seu arsenal".

O então chefe das forças armadas sul-africanas, Tenente-General RF Armstrong, teria pedido que os mísseis estivessem armados com ogivas nucleares. Dois meses depois, Peres e Botha se encontraram em Zurique, quando o presidente israelense teria mencionado a disponibilidade de três tamanhos - o que seria uma referência a armas convencionais, químicas e nucleares.

De acordo com o "Guardian", a venda não teria ido adiante, em parte, por causa do custo. Também não ficou claro se o então primeiro-ministro isralense, Yitzhak Rabin, aceitaria.

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