Os grupos armados palestinos que mantêm um soldado israelense como refém lançaram um ultimato nesta segunda-feira de menos de 24 horas pedindo a libertação de prisioneiros, mas receberam imediatamente uma resposta negativa do Estado hebreu.
- Diante da insistência do inimigo sionista em dar prosseguimento às medidas militares e à agressão, nós lhe daremos um prazo com vencimento na terça-feira 4 de julho às 06h (03h de Brasília) - afirmaram as Brigadas Ezzedine Al-Qassam (braço armado do Hamas), os Comitês da resistência popular e o Exército do Islamismo.
- Se o inimigo não atender a nossos pedidos do comunicado anterior, nós vamos considerar o caso encerrado e o inimigo será o responsável de tudo - acrescentaram.
Os grupos não deram maiores detalhes sobre o destino de Gilad Shalit a partir desta terça-feira. "Acredito que o texto é suficientemente claro", declarou Abu Mujahid, porta-voz dos Comitês.
Concretamente, os três grupos armados reclamam a libertação de mulheres e meninos palestinos que estão em prisões israelenses, em troca de informações sobre o soldado, e a libertação de mil presos palestinos e árabes, entre eles vários grupos radicais.
O chefe do Estado-Maior israelense, general Dan Halutz, por sua vez, rejeitou o ultimato de 24 horas dado a Israel.
- Não cederemos a nenhuma chantagem ou qualquer ultimato dado por qualquer organização terrorista, neste caso o Hamas - declarou Halutz depois de se reunir com os pais de Gilad Shalit, seqüestrado em 25 de junho passado.
Israel, que sempre se nega a negociar com os seqüestradores, manteve assim sua postura e o Exército israelense, portanto, dará continuidade à sua ofensiva contra o Hamas na Faixa de Gaza. Soldados e blindados operam no norte da região à procura de túneis, esconderijos de armas e pontos de lançamento de foguetes contra o sul de Israel.
Um ativista palestino morreu nesta segunda-feira num ataque aéreo israelense em Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza. Uma testemunha viu o corpo destroçado do ativista Abdel Rahim Dorraj, de 25 anos de idade.
Segundo um porta-voz militar, uma patrulha identificou dois atacantes palestinos e disparou, atingindo um deles.
No domingo, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, declarou que Israel não permitirá uma crise humanitária na Faixa de Gaza.
- No que diz respeito a questões humanitárias, Israel evitará uma crise. Não permitiremos a instalação de uma crise humanitária - afirmou Olmert durante a reunião semanal de seu governo.
- Faremos todo o possível sobre este tema porque não estamos combatendo o povo palestino e não permitiremos que seja maltratado - declarou o primeiro-ministro.
Durante uma conversa por telefone com a secretária americana de Estado, Condoleeza Rice, Olmert afirmou ainda que as ações israelenses são "comedidas" e que o Exército "recebeu instruções para evitar o máximo possível colocar em risco a população não ligada ao terrorismo", segundo a mesma fonte.
Rice se disse "preocupada com a situação humanitária na Faixa de Gaza e com a questão da segurança".
Israel reabriu no domingo, durante várias horas, o terminal de Karni, único ponto de passagem de mercadorias entre Israel e a Faixa de Gaza, assim como o oleoduto de Nahal Oz, para permitir a chegada de gêneros de primeira necessidade e combustível à região.
A ONU advertiu sobre a possibilidade de uma crise humanitária na Faixa de Gaza, alvo de uma operação militar israelense deflagrada na quarta-feira passada.