Forças israelenses mataram dois palestinos armados nest sexta-feira na Cisjordânia ocupada, ampliando a ação contra os militantes, apesar de não terem sido lançados mais foguetes da Faixa de Gaza.
A onda de violência, que dura uma semana, ofusca a última rodada das eleições municipais palestinas, abala duramente uma trégua declarada há sete meses e afasta a expectativa de que o processo de paz seja retomado rapidamente após a desocupação israelense de Gaza.
As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, grupo ligado à facção governista palestina Fatah, disse que dois de seus combatentes morreram em uma ação do Exército de Israel no campo de refugiados de Balata, perto de Nablus. Um terceiro militante ficou gravemente ferido.
Uma porta-voz militar israelense disse que os palestinos dispararam contra os soldados que entraram em Balata e no vizinho campo de Askar, ainda de madrugada, para prender militantes.
- Os soldados reagiram, e vários militantes foram atingidos. Um soldado ficou levemente ferido. Ao todo, 11 terroristas foram detidos - disse a porta-voz.
Nesta quinta-feira, os soldados já haviam matado três militantes na Cisjordânia. Centenas de suspeitos foram detidos na semana que passou.
A série de foguetes lançados por palestinos, que desencadeou a ofensiva israelense, inclusive com bombardeios contra a Faixa de Gaza, parou na terça-feira, em resposta dos militantes a apelos da própria população palestina, que deseja calma para reconstruir Gaza após 38 anos de ocupação.
Mas Israel não recuou.
- Condenamos veementemente esta contínua escalada israelense, que vai prejudicar a cessação da violência - disse o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat.
Em meio às incursões israelenses, os palestinos fizeram a terceira e última rodada das eleições municipais na Cisjordânia, consideradas um teste político para o Hamas, que em janeiro disputa pela primeira vez cadeiras no Parlamento palestino.
A Fatah vai controlar 65 das 104 prefeituras em disputa. O Hamas ficará com 22, e outras facções controlarão 17 das câmaras municipais, segundo a autoridade eleitoral. O comparecimento às urnas foi de 85%.
O Hamas disse que essas cifras preliminares não refletem a sua base de apoio, uma vez que seus candidatos não participaram da disputa em vários distritos, temendo serem presos por Israel.
A votação de quinta-feira, parte das eleições para mais de mil vagas de vereador na Cisjordânia, foi a primeira entre os palestinos desde a desocupação de Gaza, concluída em 12 de setembro.
O Hamas, principal força armada em cinco anos de rebelião palestina, foi bem nas duas primeiras fases da disputa. O grupo deve sua popularidade às ações contra Israel, mas também a iniciativas benemerentes e à imagem honesta de seus membros.
Israel vê com preocupação um avanço político do Hamas, que se recusa a entregar suas armas para facilitar o processo de paz. O primeiro-ministro Ariel Sharon disse que Israel não iria facilitar a votação parlamentar na Cisjordânia, onde o Exército tem uma rede de postos de controle, caso o Hamas concorra sem antes se desarmar. Os palestinos exigem que Israel não interfira na sua política.