Tropas israelenses mataram cinco palestinos em ação ocorrida no final da noite desta quartta-feira na Cisjordânia, no primeiro ataque letal do Exército desde a remoção, nesta semana, de colonos judeus de territórios ocupados.
Após o incidente, militantes palestinos dispararam um foguete a partir de Gaza para o sul de Israel. O foguete caiu perto da cidade de Sderot, segundo uma fonte militar. Não há informações sobre danos ou vítimas.
Uma nova onda de violência pode colocar em perigo a trégua mantida durante o desmantelamento de 21 assentamentos judaicos em Gaza e de quatro na Cisjordânia e dificultar a reativação do processo de paz no Oriente Médio.
Horas antes da ação israelense, um palestino esfaqueou e matou um judeu ortodoxo e feriu outro na cidade de Jerusalém, em ataque que a polícia afirmou ter motivações nacionalistas.
As tropas entraram no campo de refugiados de Tulkarem, na Cisjordânia, para prender cinco militantes palestinos procurados por dois ataques suicidas em Israel neste ano, que violaram o cessar-fogo, disse uma fonte militar israelense.
Os cinco palestinos foram mortos durante uma troca de tiros, afirmou a fonte.
- A intenção era prendê-los. Todos eram procurados e todos estavam armados - ressaltou.
Testemunhas palestinas disseram que três dos mortos eram adolescentes desarmados e dois eram militantes - um deles das Brigadas de Mártires de Al Aqsa, grupo armado do movimento Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, e outro da Jihad Islâmica.
O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, condenou o ataque.
- Essas mortes mostram que Israel não procura a paz e a calma na Cisjordânia - disse ele a repórteres.
O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, disse que as forças militares de Israel deverão deixar Gaza em meados de setembro.
Mas, citando a necessidade de evitar contrabando de armas para militantes em Gaza, Israel pretende manter o controle sobre o espaço aéreo e marítimo do território. Os palestinos dizem que a ocupação não terminará até que tenham acesso livre ao mundo externo.
Tropas de Israel também continuarão controlando o bolsão no norte da Cisjordânia de onde foram retirados quatro assentamentos.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou a incursão militar israelense no campo de refugiados de Tulkarem que resultou na morte de cinco palestinos.
- O presidente Abbas e a ANP condenaram hoje o vil crime cometido pelas forças de ocupação israelenses nesta madrugada, no campo de refugiados de Tulkarem - afirmou a agência de notícias da ANP, WAFA.
Além disso, responsabilizaram a parte israelense por este tipo de ações no atual clima de calma e no processo de paz.
Segundo o porta-voz da ANP, soldados do Exército israelense realizaram no campo de refugiados de Tulkarem um "terrível e sangrento massacre a sangue frio e sem justificativa alguma".
As lojas permaneceram fechadas hoje em Tulkarem como luto pela morte dos cinco jovens, três deles com idades entre 14 e 17 anos de idade.
Segundo fontes palestinas, os soldados israelenses entraram no campo de refugiados e mataram cinco palestinos sem nenhum tipo de provocação. O Exército israelense afirma que se tratava de uma operação em que os soldados atiraram em defesa própria.