Soldados israelenses mataram um comandante da Jihad Islâmica e outro homem armado nesta segunda-feira, no momento em que o Hamas, vencedor das eleições parlamentares palestinas, abre negociações formais sobre a formação de um novo governo. Israel tomou medidas para isolar o governo liderado pelo Hamas - grupo militante que defende a destruição do Estado judaico. No domingo, Israel interrompeu a transferência mensal de recursos para a Autoridade Palestina, que enfrenta problemas financeiros.
O Hamas tomou posse no sábado, depois da vitória eleitoral em 25 de janeiro, e deve negociar em Gaza com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, líderes legislativos e grupos militantes sobre a formação do governo. Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, disse que o grupo militante vai tentar formar "a maior coalizão nacional possível", com Ismail Haniyeh como primeiro-ministro, até o início do próximo mês.
Potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, ameaçaram boicotar um governo liderado pelo Hamas, a não ser que o grupo renuncie à violência e reconheça Israel, mas também exortaram Israel a não adotar medidas que aumentem as dificuldades dos palestinos. O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse a seu gabinete no domingo que o governo palestino está se tornando uma "autoridade terrorista" com o Hamas no controle.
- Israel não vai manter contatos com um governo do qual o Hamas faz parte - afirmou.
O gabinete de Israel decidiu interromper a transferência mensal de impostos aos palestinos, mas não aceitou a proposta inicial de impedir a entrada de todos os trabalhadores palestinos no país ou as viagens através de seu território. Na eleição do mês passado, o Hamas conquistou 74 das 132 cadeiras do Parlamento, acabando com o domínio da facção Fatah, liderada por Abbas.
O Hamas rejeitou os pedidos de Abbas para continuar a honrar os acordos de paz interinos com Israel, mas assinalou disposição de assumir uma trégua de longo prazo se Israel se retirar das terras que ocupou na Guerra Dos Seis Dias (1967).