O governo de Israel aprovou neste domingo a libertação de 400 prisioneiros palestinos. A decisão, segundo o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, irá respaldar o presidente palestino Mahmoud Abbas antes da retirada de Gaza. Mas a Autoridade Palestina disse que Israel falhou na coordenação da soltura e que deixará na prisão os prisioneiros que os palestinos mais querem ver soltos.
Israel libertou 500 prisioneiros no dia 21 de fevereiro depois que Abbas e Sharon anunciaram cessar-fogo no encontro de cúpula de Sharm el-Sheikh, no Egito. Sharon depois suspendeu a promessa de libertar mais 400, citando a paralisia palestina em desarmar os militantes.
- Israel tem queixas contra os palestinos, queixas sérias quanto a implementação dos acertos de Sharm el-Sheikh - disse Sharon a seu gabinete em comentários transmitidos pela Rádio Israel.
- Mas mesmo aqueles que acreditam que os futuros eventos podem fortalecer as forças terroristas extremas devem entender a necessidade de amparar o elemento principal e moderado da Autoridade Palestina e dar continuidade a nossa promessa - afirmou.
Sharon estava se referindo ao plano de Israel de retirar em agosto todos os 21 assentamentos judeus em Gaza e quatro dos 120 na Cisjordânia e os temores da oposição de que esse passo seja classificado como uma vitória por militantes anti-Israel.
A libertação de prisioneiros é uma questão muito sensível para os palestinos, que vêem os seus 8000 irmãos detidos por Israel como combatentes da liberdade e do fim da ocupação de Gaza e Cisjordânia. O anúncio foi visto também como uma tentativa de Israel invalidar as reclamações de Abbas, que em conversa na Casa Branca com o presidente norte-americano George W. Bush, na quinta-feira, disse que Sharon estava dificultando seus esforços para promover a paz.