Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Israel liberta 159 palestinos, mas Abbas pede plano mais amplo

Segunda, 27 de Dezembro de 2004 às 09:15, por: CdB

 Israel libertou 159 prisioneiros palestinos nesta segunda-feira, em um gesto de boa vontade para o Egito e para o líder moderado palestino Mahmoud Abbas. Ele pediu, contudo, uma "libertação séria" de milhares de presos.

Abbas, que tenta convencer militantes palestinos a deixarem de lutar para ajudar na retomada das negociações com Israel, fez da libertação dos prisioneiros parte de sua campanha para a eleição presidencial de 9 de janeiro, que escolherá um sucessor de Yasser Arafat.

Líderes palestinos saudaram a libertação de 113 homens presos por violações de segurança e 46 por entrada ilegal em Israel, ms disseram que a medida está aquém de suas exigências.

A maioria dos palestinos considera os compatriotas presos como heróis de sua luta pela independência, e a libertação de um número maior poderia fortalecer o poder de Abbas de conter os militantes que rejeitam um cessar-fogo com Israel.

Muitos dos libertados estavam no final de suas sentenças e foram presos por participação em grupos militantes. Poucos tiveram envolvimento em ataques armados contra israelenses.

"Respeito a libertação de cada prisioneiro, mas precisamos de um processo sério de libertação", disse Abbas a repórteres em Ramallah.

"O que é necessário é liberdade para todos os prisioneiros políticos, para dar significado a isso", afirmou o primeiro-ministro Ahmed Qurie.

Mais de 7.000 palestinos --- de adolescentes ao ex-lider do movimento Fatah na Cisjordânia, Marwan Barghouthi -- estão presos em Israel. O número cresceu desde que a atual Intifada começou nos territórios ocupados, há quatro anos.

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, havia prometido a libertação ao presidente do Egito, Hosni Mubarak, depois que este soltou um suposto espião de Israel, preso em 1997. Mubarak, importante mediador regional, também pediu sinais de Israel para ajudar Abbas.

"Esperamos renovar o diálogo com nossos vizinhos palestinos...há possibilidade de mais libertações de prisioneiros se, claro, os palestinos trabalharem para cumprir seu compromisso de acabar com o terrorismo e de adotar reformas", disse à Reuters o porta-voz do governo israelense, Avi Pazner.

Ônibus levaram os palestinos libertados de duas penitenciárias em Israel para diversos pontos de fronteira na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, onde eles encontraram suas famílias.

Em Beituniya, perto de Ramallah, prisioneiros beijaram o chão e fizeram o sinal de "V" de vitória.

Em Tulkarm, carros buzinaram para comemorar e levaram 44 prisioneiros soltos em carreata pela cidade. Mas outros 10 palestinos, estudantes que apóiam o Hamas, foram presos em uma ação do Exército em Tulkarm durante a noite.

Muitos dos ex-prisioneiros disseram que a medida de Israel foi cosmética.

"Estou feliz por me reunir com minha família, mas triste por deixar para trás meus compatriotas com sentenças longas, incluindo mulheres e adolescentes. A prioridade deveria ser dada à libertação deles", disse Mohammed Hmeidan em Beituniya.

Na cidade de Nablus, na Cisjordânia, forças israelenses mataram um militante do Fatah, depois que ele tentou fugir de carro para evitar a prisão, disseram fontes militares.

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