Os blindados israelenses lançaram nesta quinta-feira uma ofensiva a Khiam, praça-forte do Hezbollah no sul do Líbano, depois de assumir o controle da cidade vizinha de Marjayun, anunciou a polícia libanesa.
Chegados de Metula, norte de Israel, as colunas israelenses avançaram sete quilômetros dentro do território libanês e conseguiram chegar à entrada de Khiam.
Um comunicado do partido xiita libanês afirmou, por sua vez, ter destruído sete tanques israelenses desde o início destes combates. Segundo a polícia libanesa, no entanto, apenas quatro tanques israelenses foram alcançados por disparos do Hezbollah e dois deles se incendiaram à entrada de Marjayun.
Khiam é bombardeada há semanas pelas forças israelenses. Quatro observadores da ONU foram mortos nos bombardeios em 26 de julho.
Uma coluna israelense tomou o controle da cidade de Marjayun, 10 km a noroeste de Khiam, depois de breves combates. Os veículos israelenses circularam pelas ruas da cidade cristã sem encontrar resistência.
No entanto, em alguns bairros periféricos prosseguiam os tiroteios e a cidade era sobrevoada por caças-bombardeiros.
- De vez em quando ouvimos disparos esporádicos de armas automáticas. Os habitantes estão escondidos em suas casas e há 600 refugiados nas escolas - afirmou à televisão local o prefeito da cidade, Fuad Hamra.
O Hezbollah tentou frear o avanço dos blindados com disparos de foguetes antitanques.
Para apoiar o avanço das tropas terrestres, a aviação israelense bombardeou os arredores dos vilarejos de Debbine, Blat e Bhurgoz. Os militares libaneses presentes no setor permaneceram em seu quartel. Mais cedo, a aviação israelense lançou panfletos indicando que deveriam permanecer aquartelados.
Uma importante força conjunta (1.500 homens) do Exército e da polícia libanesa se encontra em Marjayun.
Depois de assumir o controle desta localidade, as forças israelenses avançaram em direção a Qlaiaa, na estrada que une Marjayun à cidade de Khiam.
Violentos combates também foram registrados a leste de Debbine, um povoado xiita situado ao norte de Marjayun.
Em Israel, no entanto, um porta-voz do governo declarou que a extensão da ofensiva terrestre, em princípio aprovada na véspera, ainda não havia começado para dar uma chance aos esforços humanitários da ONU. É nesta região do sul do país, onde são travados os atuais combates, que o governo libanês se declarou disposto a posicionar 15 mil homens desde que Israel se retire, dentro de uma solução para um conflito que entra no segundo mês.
Na quarta-feira, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou-se a favor desta posição do governo libanês.
Este projeto de Beirute para retomar o controle do sul do país visa a conseguir uma emenda do projeto franco-americano de resolução, que prevê o fim das hostilidades, mas sem exigir uma retirada israelense.
O plano, cuja modificação é solicitada pelo governo libanês, permitiria que Israel mantivesse suas tropas ocupando uma parte do Líbano, onde 10 mil soldados já foram mobilizados.
Israel lança forte ofensiva no sul Líbano
Quinta, 10 de Agosto de 2006 às 08:01, por: CdB