Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Israel isola assentamentos em Gaza

Israel instituiu uma zona militar restrita em alguns assentamentos da Faixa de Gaza e isolou um hotel onde radicais judeus se entrincheiraram para resistir à desocupação do território, prevista para agosto. (Leia Mais)

Quinta, 30 de Junho de 2005 às 07:09, por: CdB

Israel instituiu uma zona militar restrita em alguns assentamentos da Faixa de Gaza e isolou um hotel onde radicais judeus se entrincheiraram para resistir à desocupação do território, prevista para agosto.

Uma porta-voz militar disse que o fechamento temporário irá conter o afluxo à região de ultranacionalistas contrários à desocupação. Com essa medida, o Exército poderá fazer incursões para expulsar militantes que tentam criar bastiões contra a retirada, como o hotel.

A presença militar no bloco de assentamentos de Gush Katif foi reforçada depois que o primeiro-ministro Ariel Sharon determinou o uso de "todas as medidas necessárias" para conter os judeus ultradireitistas que planejam atos violentos e bloqueios rodoviários contra a desocupação.

Sharon pretende desocupar todos os 21 assentamentos da Faixa de Gaza e 4 dos 120 da Cisjordânia, o que pode levar à retomada do processo de paz com os palestinos.

Militares disseram que os assentamentos estão fechados a não-residentes, a fim de conter a violência dos extremistas. Os palestinos da Faixa de Gaza em geral vêm observando um cessar-fogo declarado em fevereiro.

- Nas últimas 24 horas, fatores que se opõem à desocupação radicalizaram suas atividades em Gaza, inclusive com repetidas violações da lei e da ordem, além de ferirem residentes palestinos da área - disse nota do Exército.

- Há informações de que outros grupos de israelenses podem estar se deslocando para Gaza na tentativa de fornecer apoio aos desordeiros - disse o texto, referindo-se a ativistas do proscrito grupo antiárabe Kach, expulsos na quarta-feira de um posto avançado que eles haviam ocupado em um bairro palestino.

Os militares disseram que o isolamento dos assentamentos será suspenso quando essa ameaça tiver sido eliminada. O governo pretende isolar novamente os assentamentos às vésperas da desocupação.

Também em Gush Katif, o Exército isolou na quinta-feira o hotel Palm Beach, transformado por religiosos nacionalistas, especialmente oriundos de assentamentos da Cisjordânia, em uma fortaleza contra a retirada.

Os protestos dos ativistas não impediram os soldados de instalarem arame farpado em torno do prédio branco do hotel, que passou anos vazio e foi agora rebatizado de Maoz Hayam ("fortaleza litorânea") pelos ocupantes.

Na noite de quarta-feira, após um dia inteiro de confrontos entre adolescentes do Kach e moradores palestinos, o terreno do hotel foi declarado zona militar restrita. Um jovem palestino foi gravemente ferido ao ser apedrejado "à queima-roupa" por rapazes judeus.

Os soldados também expulsaram dezenas de militantes do Kach que haviam ocupado uma casa de três andares no bairro palestino de Al Mawasi, vizinho de Gush Katif. Os judeus radicais haviam pichado ofensas ao profeta Maomé nas paredes da casa.

Muitos dos 8.500 colonos de Gush Katif se opõem à ocupação, mas seus dirigentes elogiaram as medidas militares.

- Os esforços para trazer enormes quantidades de adversários da desocupação para Gush Katif não são de nossa iniciativa. Não vamos aceitar um grupo de desordeiros que está prejudicando a nossa causa, como ficou demonstrado com os incidentes de ontem em Al Mawasi - disseram eles em nota.

Sharon considera que os ativistas antidesocupação são "gangues fora-da-lei" que tentam instituir um "reinado de terror" e prejudicar a democracia israelense.

- A batalha agora não é pelo plano de desocupação, mas pela imagem e o futuro de Israel", disse Sharon ao jornal Haaretz.

- Sob nenhuma circunstância poderemos permitir que uma gangue fora-da-lei controle a vida de Israel - sentenciou. 

As pesquisas mostram que a maioria dos israelenses apóia a desocupação. Mas a direita considera que isso trai as reivindicações dos judeus sobre territórios bíblicos e recompensa o "terrorismo" palestino.

Os palestinos querem a desocupação da Faixa de Gaza, mas temem qu

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