Israel irritou-se nesta quarta-feira com os planos do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, de se encontrar com os autores de um acordo de paz simbólico, apesar da forte objeção israelense. "Não queremos discutir com Powell", disse o porta-voz do governo, Avi Pazner, sem elaborar, um dia depois que o vice do primeiro-ministro Ariel Sharon advertiu que o secretário de Estado erraria ao dar seu apoio à iniciativa alternativa.
A pressão sobre os dois lados para acabar com o impasse no Oriente Médio vem crescendo desde que a oposição israelense e palestinos moderados lançaram na segunda-feira o Acordo de Genebra, que teve amplo apoio internacional. Autoridades palestinas saudaram a iniciativa, mas não endossaram o plano. Já o governo de direita de Israel denunciou a iniciativa, classificando-a como uma traição, e intensificou as incursões em áreas da Cisjordânia após dois meses de relativa calmaria.
Israel também entrou em uma rara disputa pública com Washington ao criticar a decisão de Powell de se reunir com os arquitetos do Acordo de Genebra nesta semana. O plano alternativo prevê um Estado palestino, pede a dissolução da maioria dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Gaza e estabelece que Israel terá o direito de decidir quantos refugiados palestinos receberá de volta.
Durante uma visita à Tunísia na terça-feira, Powell disse que tem o direito de se encontrar com quem quer que tenha novas idéias sobre a paz no Oriente Médio. "Não sei porque eu, ou qualquer pessoa do governo dos EUA, deveria se negar a oportunidade de ouvir a opinião de outros que estão comprometidos com a paz e que tenham idéias", afirmou.
Paralelo a esta disputa, o Exército israelense intensificou suas ações em cidades da Cisjordânia. A busca por militantes palestinos ressalta os obstáculos práticos para a iniciativa diplomática que surgiu do vácuo do plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, conhecido como Mapa de Rota.
Um porta-voz do Exército de Israel disse que 27 palestinos procurados foram presos durante a noite na cidade de Ramalá, base do líder palestino Yasser Arafat e em Jenin. O alvo principal foi a Jihad Islâmica. Três militantes do Hamas e um palestino de seis anos de idade foram mortos por forças israelenses em uma incursão em Ramalá na segunda-feira, horas antes da cerimônia de lançamento do plano alternativo de paz, em Genebra.
Autoridades palestinas declararam que a ação parece ter sido programada para coincidir com o evento em Genebra e provocará reação dos militantes. Segundo o governo de Sharon, a incursão evitou uma nova onda de ataques suicidas.
Israel irrita-se com apoio dos EUA a plano de paz
Quarta, 03 de Dezembro de 2003 às 08:14, por: CdB