Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Israel, Irã e Egito deixam ainda mais tensa a situação no Oriente Médio

Sexta, 02 de Agosto de 2013 às 10:19, por: CdB
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Partidários de Mursi acaparam em diversas cidades do Egito e prometem resistir à ordem de desocupação
Partidários do presidente deposto Mohamed Mursi preparavam-se para mais um confronto nesta sexta-feira, no Egito, depois de os Estados Unidos declararem que os militares do país estavam "restaurando a democracia" ao deporem o líder eleito. Milhares de pessoas se reúnem em dois acampamentos da Irmandade Muçulmana no Cairo, desafiando as ameaças de repressão do governo provisório empossado pelos militares no mês passado. Nesta manhã, no acampamento de Rabaa al Adawiya, o maior deles, jovens usando capacetes e brandindo porretes montaram uma primeira linha de defesa atrás de barricadas feitas com tijolos e sacos de areia. Diplomatas estrangeiros, entidades de direitos humanos e líderes religiosos egípcios pediram às autoridades que evitem um derramamento de sangue. Fontes políticas disseram que houve um intenso debate dentro do gabinete acerca da conveniência de uma ação das forças de segurança. Quase 300 pessoas morreram na violência desde que Mursi foi derrubado. No incidente mais grave, 80 partidários do político islâmico foram mortos pelas forças de segurança, no sábado passado. Mursi, primeiro governante eleito livremente na história egípcia, foi deposto em 3 de julho, após várias semanas de intensos protestos nas ruas pedindo sua renúncia. Muitos egípcios estavam frustrados por sua incapacidade de fazer frente aos problemas econômicos e sociais, e temiam que ele estivesse levando o país para um regime islâmico. Desde então, os EUA evitavam descrever como "golpe" a intervenção militar que derrubou o presidente, já que isso acarretaria sanções como o corte da ajuda militar de US$ 1,3 bilhão por ano. Mas, na véspera, o secretário norte-americano de Estado, John Kerry, adotou um novo tom, declarando durante visita ao Paquistão que o Exército estava "restaurando a democracia" ao derrubar o presidente. – Os militares foram chamados a intervir por milhões e milhões de pessoas, todas elas temerosas de um mergulho no caos e na violência – disse Kerry a uma TV paquistanesa. O secretário cobrou, no entanto, respeito pelo direito dos egípcios -inclusive os partidários de Mursi- a se manifestarem pacificamente. Tensão entre vizinhos Se no Egito a situação é tensa, no vizinho Estado de Israel o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deixou ainda mais frágil a paz na região, ao afirmar nesta sexta-feira que o presidente eleito do Irã, Hassan Rouhani, demonstrou sua verdadeira face depois de ter afirmado que Israel é uma "chaga" que deve ser removida, segundo uma agência de notícias iraniana de notícias, a mesma que, horas após a divulgação do discurso, afirmou que Rouhani foi mal interpretado. – A verdadeira face de Rouhani foi revelada antes que o esperado... isso é o que o homem pensa e isto é o que o regime iraniano tem como plano de ação. Uma nação que ameaça destruir o Estado de Israel não deve ter a permissão de possuir armas de destruição em massa – disse Netanyahu. A agência iraniana de notícias Irna informou que Rouhani disse em discurso: – O regime sionista é uma chaga que se estabeleceu no corpo do mundo muçulmano por anos e deve ser removida. Israel, que se acredita ter posse do único arsenal nuclear do Oriente Médio, disse que o Irã planeja construir armas nucleares e sinalizou que pode tomar uma ação militar se outras nações não conseguirem convencer o governo de Teerã a conter seu programa atômico. O Irã nega os planos para obter uma bomba atômica e alega que o programa nuclear do país tem fins civis. Rouhani toma posse no domingo e substituirá o linha-dura Mahmoud Ahmadinejad. Logo após as declarações, tanto de Houhani quanto de Netanyahu, a TV iraniana Press TV afirmou que a matéria na qual o presidente eleito Hassan Rouhani é citado chamando Israel "uma chaga que... precisa ser removida" foi distorcida. "Agências de notícias distorceram as declarações do presidente eleito do Irã no Quds Day", disse uma legenda com últimas notícias na Press TV. Não foram dados mais detalhes. Segurança Diante da crescente escalada da violência no Oriente Médio, as embaixadas dos EUA que estariam normalmente abertas no domingo, incluindo as de Abu Dhabi, Bagdá e Cairo, estarão fechadas por motivos de segurança que não foram especificados, disse na véspera o Departamento de Estado norte-americano. A rede norte-americana de TV CBS News informou que o fechamento de embaixadas está ligado a informações da inteligência dos Estados Unidos sobre ações planejadas pela rede Al Qaeda contra representações diplomáticas norte-americanas no Oriente Médio e outros países muçulmanos. A CBS informou que a inteligência não mencionou um lugar específico. "O Departamento de Estado instruiu certas embaixadas dos EUA e consulados a permanecerem fechados ou suspender as operações no domingo 4 de agosto", disse a porta-voz do Departamento de Estado Marie Harf, em sua declaração diária à imprensa.
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