O ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, em uma excepcional entrevista a um jornal árabe, assinalou que existem três condições para que Israel retome o diálogo com a Síria e consiga a paz entre os dois países vizinhos.
Entrevistado pelo jornal saudita de difusão internacional <i>Asharq Al Ausat</i>, Mofaz afirmou além disso que o momento atual oferece uma oportunidade única para conseguir a paz entre palestinos e israelenses.
As três condições que Israel delineia para voltar a sentar-se com a Síria são: retirada das tropas sírias do Líbano, desmantelamento do partido xiita libanês Hisbolá (apoiado pela Síria e pelo Irã) e acabar com o suposto apoio sírio à atividade terrorista no Iraque.
- Nos interessa conseguir a paz com a Síria. Mas a Síria abriga terroristas e está muito envolvida em atividades terroristas contra as tropas americanas e a coalizão no Iraque, além de seu apoio ao Hisbolá para realizar ataques contra Israel. - disse Mofaz.
- Portanto, a Síria deve terminar com seus vínculos terroristas antes que possamos abrir negociações de paz com eles. - acrescentou.
As negociações de paz entre Israel e Síria foram interrompidas em 1999, por um desacordo sobre o alcance que deveria ter a retirada israelense do território sírio das Colinas de Golã, ocupados ao término da guerra de 1967.
A Síria expressou nos últimos meses sua disposição em retomar as negociações no ponto onde foram interrompidas, mas Israel jogou um balde de água fria ante estas pretensões e mostrou não ter nenhuma pressa de voltar à negociação.
Em relação ao conflito israelense-palestino, Mofaz mostrou um evidente otimismo:
- Acho de verdade que chegou o momento de começar um diálogo com os palestinos, em particular depois que os palestinos elegeram seu novo Governo.
- Conhecemos Abu Mazen (apelido do novo presidente palestino, Mahmoud Abbas) e sabemos que não vai recorrer ao terrorismo. - disse o ministro israelense.
Mofaz assegurou que os palestinos estariam felizes de conseguir o que Israel lhes ofereceu durante as negociações de Taba em 1999, especialmente no referente aos refugiados palestinos e ao status de Jerusalém.
- Yasser) Arafat rejeitou então a proposta israelense para uma solução, porque achou que podia conseguir mais coisas recorrendo ao terrorismo e à violência. - disse Mofaz.