O governo israelense prometeu nesta quarta-feira continuar a construção de uma barreira que está sendo erguida na Cisjordânia, apesar de uma resolução da Assembléia Geral da ONU exigindo que o muro seja derrubado.
"A construção da barreira continuará", disse à Reuters Raanan Gissin, um importante assessor do premier israelense Ariel Sharon, horas depois de o organismo das Nações Unidas ter votado a favor de Israel obedecer um decreto da Corte Mundial contra a barreira. "Israel não vai parar a construção (da barreira) ou abdicar de seu direito inalienável de autodefesa", disse.
Israel descreve o projeto como uma proteção contra terroristas suicidas palestinos. Já os palestinos condenam o muro como uma tentativa israelense de se apossar da terra que eles esperavam usar na criação de um Estado independente.
Gissin disse que Israel não se surpreendeu com o voto da ONU, descrevendo-o como uma "tirania da maioria" na Assembléia Geral, onde costuma haver sentimento contra o Estado judeu.
O resultado da votação na ONU foi de 150 votos contra e seis a favor da construção da barreira. Houve 10 abstenções.
Os Estados Unidos, Israel, Austrália, e as ilhas do Pacífico Marshall Islands, Micronésia e Palau, votaram contra a resolução da ONU. Todos os 25 países da União Européia votaram apoiando o decreto da Corte Mundial, assim como o Brasil. A resolução da assembléia, como o decreto da Corte Mundial, divulgado no início deste mês, não ameaça com sanções, mas tem um valor simbólico que pode levar a medidas futuras.