A polícia de Israel expulsou nove famílias palestinas de suas duas casas em um bairro árabe de Jerusalém Oriental, neste domingo, gerando críticas por parte da comunidade internacional. Vestidos de preto e fortemente armados, dezenas de policiais fizeram uma incursão pouco antes do nascer do sol. Colonos judeus ocuparam as casas quase imediatamente.
A operação ocorreu depois que a Suprema Corte de Israel determinou que os terrenos pertenciam originalmente a famílias judias. Alguns do colonos chegaram com documentos - alguns datados há mais de um século - que, segundo eles, provam que a propriedade é de judeus.
– Não temos mais para onde ir. Este é o meu lar, é onde nós vivemos toda a nossa vida. Eles nos tiram daqui e trazem os colonos para viver na nossa casa. Meu filho não entende por que ele não pode voltar para casa – disse a palestina Maysun al-Ghaw, ao lado do filho de 4 anos, que chorava.
Ato 'desumano'
Mas o resto do mundo vê Jerusalém Oriental como território ocupado. Um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU), Robert Serry, disse que a expulsão das famílias é "inaceitável". O mesmo termo foi usado pelo governo britânico para descrever a ação.
"É uma operação incompatível com o desejo pela paz", afirmou um porta-voz britânico, que ainda fez um apelo para que Israel "não permita que extremistas estabeleçam os objetivos do país".
Um porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas disse que a retirada das famílias é "ilegal e desumana". Ainda segundo a Autoridade Nacional Palestina (ANP) afirmou neste domingo que, ao despejar duas famílias palestinas de suas casas em Jerusalém Oriental, Israel acabou com qualquer possibilidade de as negociações de paz serem retomadas.
– Este passo é o golpe de misericórdia no processo de paz. Todos os documentos demonstravam que as famílias de Jerusalém eram proprietárias dos imóveis há mais de 50 anos, ao contrário do que alega a ocupação israelense – declarou Rafik al Hosseini, chefe de gabinete do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.
O chefe de gabinete de Abbas disse ainda que Israel continua empenhado em construir assentamentos judaicos nos territórios palestinos, apesar de a comunidade internacional ser contra.
Confronto
Durante a desocupação dos imóveis habitados pelas famílias palestinas houve confronto entre os moradores e a polícia. Agentes arrombaram as portas de ambas as casas e tiraram à força todos que estavam dentro delas. A expulsão, que também foi condenada pela ONU e pelo Reino Unido, foi determinada pela Suprema Corte israelense numa decisão emitida na semana passada e que concede a famílias judaicas o direito de propriedade sobre os imóveis.
A ANP se recusa a retomar o processo de paz com Israel, interrompido no começo do ano, enquanto o país não interromper todas as atividades nos assentamentos judaicos. O negociador palestino Saeb Erekat também afirmou que Israel "mostra seu categórico fracasso em respeitar a legislação internacional, o Mapa de Caminho e a moral mais básica, assim como os direitos humanos".
"As autoridades israelenses prometeram ao governo dos Estados Unidos que suspenderiam as demolições de casas, as desocupações e outras provocações contra os palestinos de Jerusalém. Mas o que vemos no local é completamente o contrário" disse Erekat em nota distribuída à imprensa.