Israel estendeu, nesta quinta-feira, à Cisjordânia a ofensiva iniciada na véspera, na Faixa de Gaza, prendendo dezenas de dirigentes do Hamas, incluindo nove ministros, o que faz temer uma escalada do conflito à nível regional.
Mais de 60 ministros, deputados, prefeitos e outros altos funcionários do Movimento de Resistência Islâmica Hamas foram presos em uma operação de uma magnitude sem precedência, de acordo com uma fonte do exército israelense.
Segundo os serviços de segurança palestinos, que só forneceram oito nomes, foram detidos os ministros Khaled Arafa, encarregado da questão de Jerusalém, Mohammad al Barghouti, Trabalho, Nayef Rajoub, Cultos, Samir Abou Eisheh, Planejamento, Issa al-Jaabari, Governo local, Omar Abdelrazek, Finanças, Wasfi Kabha, dossiê dos Prisioneiros, e Fakhri al-Turkmani, Assuntos Sociais.
Alguns destes ministros foram detidos em um hotel de Ramallah onde estavam hospedados, disse um membro da segurança do estabelecimento.
- Esta medida foi tomada pois se comprovou que o Hamas está envolvido com o terrorismo, principalmente no ataque de domingo durante o qual dois de nossos soldados foram assassinados e outro seqüestrado - explicou a fonte israelense.
- Não tínhamos outra alternativa para defender a população israelense - acrescentou.
Segundo esta fonte, Israel não tem intenção de utilizar os líderes do Hamas como "moeda de troca" para obter a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por ativistas palestinos que, em sua maioria, pertencem ao braço armado do Hamas.
- Continuaremos nos próximos dias com nossas operações de prisão, já que o Hamas está envolvido dos pés à cabeça no terrorismo - advertiu, por sua parte, o comandante da região militar central, general Yair Naveh.
O ministro israelense de Infra-estruturas, Binyamin Ben Eliezer, acusou o governo do Hamas de ser "uma organização de assassinos".
- Se o Hamas decidiu utilizar uma nova arma como o seqüestro, os israelenses vão mostrar que são profissionais na matéria - afirmou.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, condenou as prisões e pediu à comunidade internacional que intervenha urgentemente.
Os dirigentes do Hamas presos serão apresentados ante um juiz, que deverá decidir sobre o prolongamento de sua detenção e sua eventual apresentação ante à justiça, segundo fontes militares.
O principal negociador palestino, Saeb Erakat, se referiu, por sua parte, ao perigo de uma "degradação total" da situação nos territórios palestinos devido à ofensiva israelense.
Por outra parte, o corpo de Eliahu Asheri, de 18 anos, morador da colônia de Itamar (Cisjordânia), seqüestrados também no domingo, foi encontrado na noite desta quarta, em Ramallah, pelo exército israelense.
Segundo as fontes militares, o jovem morreu imediatamente após o seqüestro, com um tiro na cabeça, e foi enterrado na localidade de Betunia, na região de Ramallah.
Os Comitês de Resistência Popular, um grupo armado que reivindicou a captura desse colono, declararam que o assassinaram depois que Israel se negou a cessar sua ofensiva na Faixa de Gaza.
Nessa região prossegue a ofensiva terrestre iniciada na madrugada de quarta-feira, sob o codinome "Chuva de verão", que, segundo as autoridades israelenses, é destinada a levar para casa são e salvo o soldado capturado.
A ação militar causou enormes danos nas infra-estruturas palestinas e destruiu a única central elétrica de Gaza.
Na madrugada desta quinta, pelo menos 30 blindados israelenses realizaram uma incursão no norte da Faixa de Gaza, de acordo com testemunhas e uma fonte de segurança palestina.
- Cerca de 35 carros de combate entraram uns 600 metros na Faixa de Gaza, ao leste da localidade de Jabaliya, perto de Beit Hanun - afirmou a fonte de segurança.
Segundo a mesma fonte, os blindados, acompanhados de escavadeiras, detiveram seu avanço e tomaram posição,
Israel estende ofensiva militar na Faixa de Gaza
Israel estendeu, nesta quinta-feira, à Cisjordânia a ofensiva iniciada na véspera, na Faixa de Gaza, prendendo dezenas de dirigentes do Hamas, incluindo nove ministros, o que faz temer uma escalada do conflito à nível regional. (Leia Mais)
Quinta, 29 de Junho de 2006 às 07:50, por: CdB