Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Israel e o discurso de Obama

Sexta, 20 de Maio de 2011 às 03:55, por: CdB

Israel, mais cedo ou mais tarde, terá mesmo de rever as noções sobre fronteiras, colônias, refugiados e Jerusalém. Sua atual posição não tem nem apoio internacional -- é bom lembrar que a ONU vota em setembro próximo a criação de um Estado palestino -- nem legitimidade. A manutenção de colônias, o não reconhecimento das fronteiras prévias à guerra de 1967, a recusa ao tratamento da questão dos refugiados e a manutenção do atual status de Jerusalém não se sustentam.

Por outro lado, o discurso de ontem do presidente norte-americano, Barack Obama, sobre a formação de um Estado palestino baseado nas fronteiras pré 1967 – quando parte da Cisjordânia e da faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e as colinas de Golã foram anexados por Israel – deve ser lido nas entrelinhas. Pelo visto, Obama falou da Palestina para tentar impedir o caminho natural de um Estado Palestino independente.

Fatah e Hamas

O presidente dos EUA deu um recado duro a uma nova realidade, a reconciliação entre o Fatah e o Hamas. “O recente anúncio de um acordo entre Fatah e Hamas traz questões profundas e legítimas para Israel - como é possível negociar com um envolvido que se mostra indisposto a reconhecer seu próprio direito à existência?”, perguntou-se o chefe de governo norte-americano. De fato, o acordo entre facções palestinas deixou muitas autoridades surpresas, já que Fatah (que comanda a Cisjordânia) e Hamas (que controla a faixa de Gaza), não faz muito tempo, eram irreconciliáveis. Fatah, tradicionamente apoia a negociação com Israel enquanto grupo islâmico Fatah se opõe a isso.

Acreditamos que essa histórica união levará, de fato, à constituição de um único governo na Palestina e a eleições. Esse efeito, seguramente, é resultado das revoltas no Egito e na Tunísia e dos ventos democráticos e reformistas que sopram sobre o Oriente Médio e o Norte da África.

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