Israel anunciou nesta segunda-feira a libertação durante a semana de apenas 350 palestinos presos por "razões de segurança", depois de ter dado a entender que o número seria bem maior, no momento em que a violência ameaça a trégua, muito frágil.
Na Cisjordânia, um palestino morreu na madrugada desta segunda-feira em um confronto com uma patrulha israelense, quando tentava pôr uma bomba no caminho dos militares, perto da cidade de Tulkarem, no Norte da Cisjordânia, anunciou um porta-voz do Exército israelense.
O homem pertencia às Brigadas dos Mártires al-Aqsa, grupo ligado ao Fatah, mas amplamente autônomo, que também reivindicou no domingo um ataque no qual uma israelense e seus três filhos ficaram feridos no Sul de Jerusalém.
Os presos por "razões de segurança" que Israel se dispõe a liberar a partir de quarta-feira deverão se comprometer previamente e por escrito a renunciar "ao terrorismo e à violência", anunciou a presidência do Conselho Israelense no final de uma reunião interministerial.
Segundo a rádio pública, os presos serão filmados quando assinarem o compromisso, uma medida inédita. A lista das pessoas que serão libertadas foi publicada esta segunda-feira na página na internet da diplomacia para permitir aos israelenses que sejam contra a libertação de determinado indivíduo que apresentem recursos aos tribunais.
A comissão decidiu autorizar no domingo à noite apenas a libertação de 350 presos por atividades antiisraelenses mais 90 presos de direito comum, rejeitando os critérios propostos para uma maior flexibilidade pelo ministro da Justiça, Yosef Lapid.
Uma autoridade israelense afirmara anteriormente que o número de palestinos libertados seria de 540. Segundo um porta-voz da administração carcerária israelense, deste total, 161 presos são administrativos, detidos sem julgamento por períodos renováveis, e 188 foram condenados por tribunais. Os palestinos, por sua vez, exigem a libertação de seis mil pessoas.
Por outro lado, o ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, descartou no momento uma nova retirada das cidades reocupadas na Cisjordânia depois do ataque de ontem no Sul de Jerusalém.
— Israel não dará continuidade ao processo (de paz) se a infra-estrutura terrorista não for desmantelada pelos palestinos — declarou.
Também disse que o Exército "se preparava para uma possível retomada do confronto" em grande escala, quando a trégua provisória de três meses proclamada no dia 29 de junho pelos grupos armados palestinos terminar.
Mofaz citou o ataque a uma mulher israelense e seus três filhos no domingo, que ficaram feridos, quando circulavam perto de Belém, não longe da colônia Har Gilo, ao Sul de Jerusalém.
O ataque acontece um mês depois que o Exército israelense se retirou de Belém em virtude do acordo que prevê a passagem dos palestinos pelos controles de segurança como parte do esquema para impedir ataques antiisraelenses a partir destas áreas.