Desafiando as críticas da comunidade internacional e até uma rara censura norte-americana, Israel ampliou na quinta-feira sua mais sangrenta ofensiva na Faixa de Gaza em anos, depois de matar 41 palestinos em três dias de combates no campo de refugiados de Rafah.
Um helicóptero do Exército israelense voltou a disparar um míssil contra um campo de refugiados na quinta, mas não havia relatos de danos ou vítimas.
As tensões na região aumentaram ainda mais com a condenação por um tribunal israelense do líder palestino Marwan Barghouthi por assassinato. O palestino, de 44 anos, visto por muitos como potencial sucessor de Yasser Arafat, prometeu continuar desafiando Israel.
"Enquanto a ocupação continuar, a intifada não vai parar," disse ele, após o veredicto. "Enquanto as mães palestinas estiverem chorando, as mães israelenses vão chorar também."
O Conselho de Segurança da ONU pediu o fim da violência na região, depois que forças israelenses mataram dez palestinos num protesto na quarta-feira. O conselho se reuniu a pedido dos árabes, para discutir o que chamaram de "crime de guerra." Os EUA decidiram se abster da votação da resolução censurando Israel, em vez de usar seu poder de veto. O presidente norte-americano, George W. Bush, pediu que Israel se contenha.
Autoridades norte-americanas também telefonaram para líderes israelenses para pedir o encerramento da ofensiva o mais rápido possível, disse uma fonte política israelense. Mas o Exército, que invadiu o campo de Rafah depois de perder 13 soldados em emboscadas em Gaza na semana passada, não deu sinais de recuo.
Os soldados continuaram a vasculhar Rafah na fronteira com o Egito, onde o Exército alega estar procurando por túneis usados para contrabandear armas para os palestinos.
Moradores disseram que as tropas destruíram um pequeno zoológico, um dos raros locais de diversão para as crianças refugiadas. Crianças chegaram a perseguir um assustado avestruz pelas ruas. O Exército negou ter destruído o zôo.
Centenas de pacifistas israelenses fizeram uma manifestação na frente do Ministério da Defesa em protesto contra a operação de Rafah, pedindo a desocupação imediata da Faixa de Gaza.
A violência na região vem aumentando desde que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, propôs desocupar unilateralmente o território, num plano apoiado pela maioria dos israelenses e pelos EUA, mas rejeitado por seu partido, o Likud, num plebiscito.
Os militantes palestinos querem reivindicar uma eventual desocupação como uma vitória, mas os israelenses tentam anular sua ação antes de deixar o território.
Na Cisjordânia, soldados israelenses mataram um importante militante do Hamas numa troca de tiros na cidade de Qalqilya. E, em Tel Aviv, o resultado do julgamento do líder palestino Barghouthi desencadeou reações opostas. Ele foi condenado por cinco homicídios em ataques suicidas, mas foi inocentado em outras 33 acusações de homicídio, por falta de envolvimento direto. A sentença será divulgada no dia 6 de junho.
Especialistas em direito acreditam que o resultado seja ruim para Israel, que pretendia processar criminalmente líderes palestinos por mortes em ataques suicidas. Isso não impediu, por outro lado, que os juízes criticassem Arafat.
Segundo eles, algumas das ordens de Barghouthi para ataques foram baseadas em "instruções" do presidente da Autoridade Palestina.
O ministro da Justiça de Israel, Yosef Lapid, afirmou que Arafat pode ser levado a julgamento um dia. O assessor de Arafat Nabil Abu Rdainah chamou as acusações de "infundadas."