Rio de Janeiro, 18 de Abril de 2026

Israel define o fim melancólico da era Sharon

Terça, 11 de Abril de 2006 às 10:23, por: CdB

O mandato de Ariel Sharon como primeiro-ministro de Israel encontrou seu fim simbólico nesta terça-feira, em uma reunião de gabinete na qual Ehud Olmert foi nomeado oficialmente para substituir o dirigente, em coma desde que sofreu um derrame. Pela lei israelense, Sharon será classificado, na sexta-feira, cem dias depois de sofrer o derrame, como permanentemente incapacitado e impossibilitado de atuar como premiê.

Olmert, vice-premiê quando Sharon adoeceru em janeiro, foi nomeado primeiro-ministro interino à época. Em uma sessão especial, o gabinete votou por unanimidade apontar Olmert como premiê designado, uma medida que, segundo Yisrael Maimon, secretário de gabinete, entraria em vigor na sexta-feira. A mudança de título não alterará os poderes dele no governo.

- Este é um dia difícil e triste para todos nós. Nunca pensamos que este momento chegaria - afirmou Maimon, durante um encontro aberto parcialmente para os meios de comunicação.

Como líder do partido Kadima (centro), fundado por Sharon em novembro passado, Olmert tenta formar uma coalizão de governo após as eleições gerais de 28 de março. O Kadima ficou em primeiro lugar no pleito. Olmert, 60, se transformará em primeiro-ministro pleno após a posse do governo por cuja formação trabalha.

- Tenho grandes esperanças de que a decisão de hoje esteja em vigor por um período curto de tempo. Espero que sejamos capazes de, o mais rápido possível, levar um novo governo até o Parlamento para ser aprovado - afirmou Olmert ao gabinete.

O líder prometeu fixar as fronteiras finais de Israel, havendo ou não um acordo com os palestinos, por meio da desocupação de alguns assentamentos isolados da Cisjordânia e a consolidação do controle sobre os grandes blocos de colônias na região. Sharon, 78, nunca recobrou a consciência depois de ter sofrido uma hemorragia cerebral. O ex-general deve ser levado em breve para uma unidade de tratamento de longo prazo ou para sua casa, em um rancho no sul de Israel, onde ficaria sob supervisão médica.

Durante décadas, Sharon foi uma figura central no cenário político do Oriente Médio. Ele conseguiu ser eleito premiê pela primeira vez em 2001. Em seu segundo mandato, Sharon surpreendeu ao mudar de postura e determinar a desocupação da Faixa de Gaza. A manobra de cores dramáticas - a primeira vez em que Israel abandonou assentamentos construídos em terras nas quais os palestinos desejam fundar seu Estado - provocou uma revolta da extrema direita dentro do partido Likud, ao qual pertencia o premiê. Sharon fundou então o Kadima.

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