Israel qualificou na sexta-feira de "muito perigoso" o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que na véspera pôs em dúvida a ocorrência do Holocausto e sugeriu que o Estado judeu deveria ser transferido para a Europa.
- Isso não foi uma declaração imprecisa nem um comentário de passagem. É uma forma sistemática de pensar, destinada a provocar a aniquilação do Estado de Israel - disse o chanceler Silvan Shalom à Rádio Israel.
A declaração de Ahmadinejad atraiu imediata condenação internacional, a exemplo do que já ocorrera em outubro, quando ele sugeriu que Israel fosse "apagado do mapa".
Questionado sobre eventuais semelhanças entre Ahmadinejad e o líder líbio, Muammar Kadafi, outro inimigo implacável de Israel, Shalom disse que não pretende minimizar o risco representado pelo iraniano.
- Tal declaração demonstra uma forma de pensar que mostra que ele é muito perigoso.O Irã está desenvolvendo mísseis que podem atingir capitais da Europa. Israel e vários países ocidentais, inclusive Estados Unidos, acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares. A República Islâmica garante que seu programa atômico é voltado apenas à produção de energia para fins civis - disse Shalom, pedindo que o caso seja levado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Já a existência de armas nucleares em Israel é considerada certa pela maioria dos analistas. Na quinta-feira, Ahmadinejad disse, segundo a agência oficial de notícias Irna:
- Alguns países europeus insistem em dizer que Hitler matou milhões de judeus inocentes em fornos, embora não aceitemos essa afirmação. Se os europeus são honestos, deveriam dar algumas de suas províncias na Europa aos sionistas, e os sionistas podem estabelecer seu Estado na Europa.
Durante o regime nazista alemão (1933-45), cerca de 6 milhões de judeus foram mortos. Radicais religiosos do Irã não negam publicamente que o Holocausto ocorreu, mas dizem que sua dimensão foi exagerada para justificar a criação de Israel. Israel acusa o Irã de dar armas e dinheiro para grupos palestinos como a Jihad Islâmica, que tem a destruição do Estado judeu como seu objetivo declarado. Teerã considera Israel um "Estado terrorista" e desenvolveu mísseis capazes de atingir seu território. Os iranianos prometem só usá-los se Israel tentar bombardear suas instalações nucleares.