Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Israel completa retirada de Gaza e Cisjordânia

Forças israelenses invadiram, nesta terça-feira, dois assentamentos da Cisjordânia e retiraram judeus de ultradireita que tentavam resistir à desocupação. A polícia invadiu uma cidadela e sinagogas de Sanur e Homesh que haviam sido "blindadas" pelos radicais. Os militares foram recebidos com garrafas, lâmpadas, tinta, ketchup, ovos e óleo de cozinha. Alguns foram retirados do telhado de uma sinagoga por uma escavadeira. (Leia Mais)

Terça, 23 de Agosto de 2005 às 07:32, por: CdB

Forças israelenses invadiram nesta terça-feira dois assentamentos da Cisjordânia e retiraram judeus de ultradireita que tentavam resistir à desocupação. A polícia invadiu uma cidadela e sinagogas de Sanur e Homesh que haviam sido "blindadas" pelos radicais. Os militares foram recebidos com garrafas, lâmpadas, tinta, ketchup, ovos e óleo de cozinha.

Alguns foram retirados do telhado de uma sinagoga por uma escavadeira. A máquina teve de passar por barreiras de lixo e pneus em chamas na entrada dos assentamentos de Sanur e Homesh.

Os palestinos querem que Israel abandone toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, mas o primeiro-ministro Ariel Sharon prometeu manter os maiores assentamentos judaicos da Cisjordânia, onde vivem cerca de 230 mil colonos em meio a 2,4 milhões de palestinos.

Os ultranacionalistas querem que a desocupação parcial do norte da Cisjordânia seja mais dolorosa do que a de Gaza, completada com tranqüilidade na segunda-feira. Dessa forma, eles pretendem demonstrar que a Cisjordânia não será entregue facilmente aos palestinos.

Diante da ameaça de resistência violenta, os militares dispensaram as longas negociações usadas em Gaza e passaram diretamente à captura dos radicais entrincheirados em várias casas, três sinagogas, um seminário e uma velha cidadela de defesa.

- Vocês não podem nos expulsar da terra de Israel - gritava uma colona, mãe de família, aos soldados que chegavam à sua casa.

Após breves tentativas de convencer os ocupantes a saírem, policiais invadiram as casas e usaram serras, empilhadeiras e marretas para abrir caminho em duas sinagogas fortificadas e uma yeshiva (seminário judaico).

Encontraram jovens rezando no chão, de braços dados, e tiveram dificuldades para separá-los e levá-los para os ônibus que recolhiam os detidos.

Após cercar a cidadela de Sanur, os soldados arrombaram a porta e retiraram os adolescentes ultra-religiosos, que estavam armados com barras de ferro e escudos. Alguns ativistas dançavam no telhado, enquanto um rabino negociava sua saída pacífica.

Alguns colonos faziam discursos para os soldados. Um deles confrontou uma oficial, levantou um retrato e disse aos gritos que "este é meu filho, que foi assassinado pelos palestinos, e agora vocês querem expulsar o pai dele."

Apesar da resistência dos jovens infiltrados, muitos moradores das colônias começaram a abandonar suas casas sem violência. Outros, numa resistência passiva, tiveram de ser arrastados.

Ao meio-dia (6h em Brasília), cerca de 330 radicais haviam sido retirados de 19 edificações de Sanur e Homesh, segundo um porta-voz militar.

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