Milhares de israelenses começam neste domingo as comemorações pelo Dia da Reunificação de Jerusalém com um colorido desfile que os municípios agrícolas realizam através da cidade para expressar seu vínculo com a cidade que o rei David fundou há 3.000 anos.
As principais ruas do centro de Jerusalém foram fechadas para permitir a passagem do desfile, do qual participa o presidente do Estado de Israel, Moshé Katsav, vários ministros de Estado, e o prefeito da cidade, o ultra-ortodoxo Uri Lupolianksy.
Israel conquistou a parte oriental de Jerusalém do exército jordaniano e reunificou a cidade após a Guerra dos Seis Dias (1967), cujo começo segundo o calendário gregoriano, em 5 de junho, coincide neste ano com o judeu.
Desde então, a maioria dos israelenses vê em Jerusalém como a capital "indivisível e eterna", apesar de as estatísticas e a distribuição demográfica falarem de fato de duas cidades.
Em Jerusalém residem 400.000 israelenses judeus e 200.000 palestinos, estes últimos concentrados na parte oriental, que exigem como capital de seu futuro Estado.
A divisão de Jerusalém é um dos três principais empecilhos no processo de paz do Oriente Médio, já que Israel se nega a dividi-la de novo.
Mas a "unidade" de Jerusalém é mais questionada do que nunca desde que Israel levantou um muro de concreto de oito metros de altura para impedir a entrada de terroristas suicidas em seu território e que de fato dividiu povoados e aldeias palestinas inteiras que viviam da Cidade Santa.
Na parte palestina da cidade não há comemoração alguma, e em algumas de suas aldeias, como as de Isawie e Yabel Mukhaber, assim como no campo de refugiados de Shuafat, alguns habitantes penduraram bandeiras negras ou cartazes com a frase "Jerusalém, capital da Palestina".
Na parte ocidental, a prefeitura pendurou centenas de bandeiras azuis e brancas (cores de Israel e de Jerusalém) por toda a cidade, e amanhã os colégios que abrirem dedicarão o dia à reunificação.
Do ponto de vista jurídico, Israel reunificou Jerusalém em 1981 mediante uma lei aprovada pelo Parlamento (Knesset), lei que não foi reconhecida pela comunidade internacional.
Os governos estrangeiros, com a exceção da Costa Rica e El Salvador, também não reconhecem Jerusalém como capital do Estado de Israel, e portanto têm suas embaixadas em Tel Aviv e arredores.