Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Israel cancela plano de ligar Jerusalém e assentamento

Sexta, 02 de Setembro de 2005 às 06:08, por: CdB

Israel arquivou o plano de construir 1.000 novas casas para colonos em assentamentos da Cisjordânia vizinhos a Jerusalém, disse um ministro na sexta-feira, cedendo à pressão norte-americana contra o projeto que, segundo os palestinos, inviabilizaria a criação de seu Estado.

O primeiro-ministro Ariel Sharon, que em agosto retirou os colonos da Faixa de Gaza, quer há muito tempo ligar Jerusalém à maior colônia judaica, a de Maale Adumim. Mas assessores já vinham sinalizando que o plano estava em suspenso, e seu vice confirmou isso publicamente.

- O Estado de Israel se comprometeu a congelar a construção. Estaríamos agindo de forma irresponsável se fizéssemos de outra forma - disse o vice-premiê Ehud Olmert ao jornal Jerusalem Post.

Ele deixou claro que o polêmico projeto "E1", que iria praticamente dividir a Cisjordânia em duas e isolá-la da parte árabe e oriental de Jerusalém, foi suspenso devido à oposição norte-americana. Os palestinos querem Jerusalém Oriental como sua futura capital.

Apesar disso, o ministro afirmou que Israel ainda vai tentar manter o projeto.

- Está claro que não faremos nada pelas costas dos norte-americanos. Quando as condições estiverem maduras, vamos levantar o assunto novamente com os norte-americanos", disse ele ao jornal.

 - Está absolutamente claro que a certa altura no futuro Israel vai criar uma continuidade entre Jerusalém e Maale Adumim e, portanto, não há discussão de que afinal teremos de construir o projeto - disse ele ao jornal. 

O ministro palestino do Planejamento, Ghassan Al Khatib, disse que "a promessa de congelar a construção em Maale Adumim é um passo positivo, caso Israel a cumpra".

- Israel agora está em uma encruzilhada: aproveitar o impulso dado pela desocupação de Gaza e começar rapidamente as negociações de paz, ou ampliar a colonização da Cisjordânia e 'compensar' os colonos de Gaza. Este caminho levará ambos os lados de volta para o ciclo de violência e confronto - afirmou Khatib.

Israel abandonou todos os 21 assentamentos da Faixa de Gaza e quatro dos 120 da Cisjordânia, mas Sharon promete manter eternamente parte da Cisjordânia, cujos assentamentos abrigam 20 vezes mais judeus do que havia em Gaza. O governo israelense considera esses blocos estrategicamente vitais, e eles crescem continuamente.

Os palestinos temem que a desocupação da Faixa de Gaza seja um pretexto para que Israel consolide ainda mais seu domínio sobre a Cisjordânia. Apesar da retirada, a retomada do processo de paz continua distante, porque para isso Israel exige que os militantes palestinos sejam desarmados.

Disputas pré-eleitorais em ambos os lados também prejudicam a perspectiva de uma negociação em breve.

Com seu empenho para consolidar os assentamentos restantes, Sharon tenta se reaproximar dos radicais de direita, alguns em seu próprio partido Likud, que buscam derrubá-lo por considerarem que a desocupação de Gaza foi "um presente ao terrorismo palestino" e uma traição às reivindicações bíblicas dos judeus sobre aquelas terras.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, enfrenta por sua vez o desafio do grupo Hamas nas eleições parlamentares de janeiro. Ele prefere cooptar os militantes para a política institucional ao invés de confrontá-los, mas qualquer coalizão de governo com os radicais islâmicos pode dificultar ainda mais as negociações de paz.

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