Forças israelenses aprofundaram na quinta-feira sua incursão na Cidade de Gaza e bombardearam bairros densamente povoados, ampliando a pressão sobre o grupo islâmico Hamas enquanto ambas as partes avaliam uma proposta de cessar-fogo.
Pelo menos 15 palestinos foram mortos nos ataques, segundo fontes médicas, elevando a 1.055 o total de vítimas fatais desde o início da ofensiva israelense, em 27 de dezembro, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Uma entidade palestina de direitos humanos afirmou que 670 dos mortos são civis.
No mesmo período, Israel registrou 13 mortes - sendo 3 civis, atingidos por foguetes do Hamas e 10 soldados.
Aterrorizados, moradores de Gaza se aglomeraram em casas precárias demais para protegê-los. Dezenas foram vistos fugindo a pé, enquanto as explosões erguiam colunas de fumaça.
- É uma catástrofe - disse uma mulher, afastando-se rapidamente da área e levando uma criança nos braços, enquanto duas outras corriam para acompanhá-la.
- Pegamos nosso dinheiro e os passaportes. Temos de ter alguma identificação conosco, para o caso de sermos mortos - disse ela.
- O Hamas pode cantar vitória se quiser, mas nós só precisamos que esse derramamento de sangue termine - afirmou.
Um importante diplomata ocidental disse que Israel parece estar tentando fazer os últimos avanços no terreno antes da trégua. "É uma clássica estratégia israelense", disse o diplomata.
O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse à imprensa que as forças do país irão "lutar até o último minuto".
Grande parte dos ataques se concentra no bairro de Tel Al Hawa. A UNRWA (agência da ONU que presta assistência humanitária aos palestinos) disse que sua sede foi atingida duas vezes, e que três funcionários ficaram feridos.
As forças israelenses sitiaram a cidade, de 500 mil habitantes, durante dias. Tanques fizeram incursões até o centro para testar a resistência do Hamas e de outros grupos da resistência, mas em geral Israel evitou uma invasão total nesse emaranhado urbano densamente povoado.