Israel destruiu num ataque aéreo neste domingo a principal instalação de segurança do Hamas em Gaza e está posicionado para uma possível invasão do território, depois de matar mais de 280 palestinos em 24 horas de uma ofensiva contra a região.
Líderes israelenses afirmaram que a ação é uma resposta aos ataques quase diários com foguetes na região de fronteira, que se intensificaram após o Hamas, grupo islâmico no controle da Faixa de Gaza, suspender há uma semana um cessar-fogo de seis meses.
Apesar dos ataques aéreos, militantes dispararam cerca de 80 foguetes para o lado israelense, segundo os serviços de emergência. Num desses ataques, dois foguetes atingiram Ashdod, há 30 quilômetros de distância de Gaza. Não houve mortos, de acordo com a polícia.
Tanques israelenses na fronteira do território palestino estão posicionados para entrar na área, marcada pela pobreza e onde vivem 1,5 milhão de pessoas. O premiê de Israel, Ehud Olmert, e seu gabinete aprovaram o chamado de 6.500 reservistas, segundo autoridades.
- Israel vai continuar a campanha até termos um novo ambiente de segurança no sul, quando a população da região não mais viver sob o terror e o medo de constantes ataques a foguete - disse Mark Regev, porta-voz de Olmert.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas pediu que os ataques e a violência sejam suspensos.
Mantendo a pressão sobre o Hamas, depois de um dos dias mais sangrentos para os palestiinos em 60 anos de conflito, aviões israelenses atingiram a principal instalação de segurança do grupo em Gaza, matando pelo menos quatro guardas, de acordo com uma autoridade médica.
Mais de 280 mortos
O número de palestinos mortos subiu para 286 desde sábado, quando Israel inicou os ataques aéreos contra alvos do Hamas. Mais de 700 palestinos ficaram feridos.
- Os palestinos nunca viram um massacre tão terrível - declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh. O grupo jurou vingança, incluindo atentatos suicidas contra "cafés e ruas" de Israel.
No sábado, um israelense foi morto por foguete disparado da Faixa de Gaza.
Analistas militares israelenses afirmam que a ofensiva do país não parece ter como objetivo retomar a Faixa de Gaza ou destruir o governo do Hamas, algo que seria muito ambicioso e arriscado antes da eleição parlamentar de 10 de fevereiro.
Para eles, Israel planeja forçar o Hamas a uma nova trégua, que impediria a longo prazo o ataque com foguetes de Gaza contra os israelenses.
O governo do presidente norte-americano, George W. Bush, nas suas últimas semanas, colocou sobre o Hamas o ônus de evitar mais violência.
Grupos de ajuda humanitária disseram temer que a operação de Israel leve a uma crise na Faixa de Gaza.
O Brasil divulgou na noite de sábado nota, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmando que acompanhou "com apreensão" a intensificação do lançamento de foguetes do Hamas contra o sul de Israel e recebeu "com grande preocupação" a notícia do ataque aéreo israelense.
"O Brasil deplora a reação desproporcional israelense, bem como o lançamento de foguetes contra o sul de Israel", acrescenta a nota. "O governo brasileiro conclama as partes a se absterem de novos atos de violência e estende sua solidariedade aos familiares das vítimas dos bombardeios desta manhã (de sábado)."