Israel vai apresentar na próxima semana aos Estados Unidos 15 ressalvas a um "mapa" da paz americano que pede a criação de um Estado palestino até 2005, disseram fontes do governo israelense neste sábado. Sem detalhar o conteúdo do documento israelense, as fontes disseram que a proposta é de que os refugiados palestinos desistam de seu direito de voltar ao território atualmente ocupado pelo Estado judaico, em troca de uma aprovação israelense do plano. Autoridades palestinas disseram que esta exigência é inaceitável. "Acho que essa é uma tentativa flagrante de sabotar e prejudicar os planos", disse o ministro do gabinete palestino, Saeb Erekat. "É uma outra forma de dizer que o governo israelense rejeita a proposta". Cerca de 3,9 milhões de refugiados palestinos estão registrados na Agência de Ajuda e Serviços da ONU (UNRWA). A maioria vive na Cisjordânia, Gaza, Líbano e Síria. Os líderes israelenses disseram que a volta dos refugiados a suas antigas casas seria um suicídio demográfico para o Estado judaico, cuja população é de 5,8 milhões de habitantes. Dov Weisglass, chefe do gabinete do primeiro-ministro Ariel Sharon, pretende se reunir com a assessora de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em Washington na próxima segunda-feira para apresentar as 15 ressalvas, disseram as fontes israelenses. A proposta de paz pede uma série de medidas recíprocas, incluindo o fim da violência palestina no levante de 30 meses e o fim da formação de assentamentos judaicos para abrir caminho à criação do Estado palestino dentro de dois anos. O presidente norte-americano George W. Bush prometeu divulgar a proposta assim que o indicado para o cargo de primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, nomeie um novo governo. Abbas, um moderado também conhecido como Abu Mazen, deve definir o seu gabinete dentro de duas semanas. Uma fonte do governo israelense disse que a intenção do país é a de que os palestinos declarem "uma guerra verdadeira contra o terrorismo". Israel também quer Yasser Arafat afastado de qualquer cargo de influência em questões financeiras ou de segurança na Autoridade Palestina. Os palestinos acusam Israel de obstruir o plano de paz, observando que qualquer acordo para impedir a expansão dos assentamentos judaicos construídos em terras ocupadas na guerra de 1967 poderia abalar as bases do governo de direita do primeiro-ministro Ariel Sharon. O secretário de Estado norte-americano Colin Powell disse que Washington pretende prosseguir com o plano de paz sem alterações. Mas também insistiu em que a proposta não poderia ser imposta às partes.
Israel apresenta aos EUA ressalvas a um "mapa" da paz
Sábado, 12 de Abril de 2003 às 07:23, por: CdB