Rio de Janeiro, 24 de Março de 2026

Isenção da PF leva oposição a usar CPI das Sanguessugas

Quinta, 19 de Outubro de 2006 às 09:12, por: CdB

Ao invés de aprofundar as investigações sobre um esquema de corrupção envolvendo três ministérios, centenas de prefeituras, dezenas de parlamentares e quatro ex-ministros da Saúde, a CPI das Sanguessugas decidiu aprovar requerimentos de convocação dos envolvidos na fracassada compra do dossiê contra tucanos, marcando as primeiras audiências para o dia 31 deste mês, logo depois do segundo turno das eleições presidenciais. Em vez de apresentar propostas que convençam a maioria do povo brasileiro de que podem fazer mais e melhor do que o governo atual para diminuir a desigualdade entre as pessoas e as regiões do país, os dirigentes da oposição conservadora apelam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impugnar, mesmo depois da eleição, a candidatura do presidente Lula, com base em acusações de uma publicação semanal que faz campanha sistemática contra a administração petista.

Os dois movimentos, no mesmo dia em que o instituto Datafolha apontou que a diferença das intenções de voto no presidente para as do seu adversário aumentou para 20 pontos percentuais, indicam que o terceiro turno já começou. Sem convencer o eleitorado de que tem um projeto melhor para o País, a oposição prepara o terreno para tentar ganhar a disputa no chamado tapetão do Judiciário. O embate na CPI das Sanguessugas mostrou isso. Depois de uma exacerbada discussão entre governistas e oposicionistas, foram aprovados requerimentos convocando todos os envolvidos na compra do dossiê pelo lado petista. Inclusive o deputado Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT e ex-coordenador da campanha de reeleição, e Freud Godoy, ex-assessor do presidente Lula.

Os ex-ministros José Serra (PSDB), Barjas Negri (PSDB), Humberto Costa (PT) e Saraiva Felipe (PMDB) foram apenas convidados a prestar depoimento e podem até recusar, ao contrário dos convocados. Mas quando chegou a hora de votar a convocação do empresário Abel Pereira, ligado aos tucanos, a sessão da CPI foi encerrada.

- Temos de ouvir as pessoas envolvidas na compra dos documentos, mas também aprovar a convocação dos envolvidos no conteúdo dos documentos. Todos sabem que o Abel Pereira é a peça-chave do superfaturamento das ambulâncias no Ministério (da Saúde) - protestou a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), lembrando que o empresário deixou de comparecer a um depoimento marcado pela Polícia Federal.

Na outra haste da pinça, os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati, do PFL, Jorge Bornhausen, e do PPS, Roberto Freire, foram conversar pessoalmente com o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro César Asfor Rocha, depois de protocolar pedido para que ele considere, nas investigações solicitadas para apurar denúncia de crime eleitoral no caso da compra do dossiê, a denúncia da revista Veja, sobre suposta operação do governo para blindar Freud Godoy e, conseqüentemente, o presidente Lula. Os presidentes dos três partidos e o advogado da campanha, Eduardo Alckmin, pediram ao TSE que todos os envolvidos sejam ouvidos, inclusive o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

- Eles cometeram um crime eleitoral organizado. É nosso dever exigir perante a Justiça comportamento adequado da PF e do ministro da Justiça, não como advogado criminalista do presidente da República, mas como uma pessoa responsável, que não induza órgãos auxiliares a cometerem irregularidades em defesa de uma candidatura - acusou o presidente do PFL.

No entanto, em outra iniciativa para montar o cenário do terceiro turno, colocando em dúvida a seriedade da Polícia Federal, a trinca oposicionista se deu mal.

- Temos acompanhado com preocupação a visão de que a Polícia Federal não trabalha com isenção. Não há operação-abafa, a PF é uma instituição séria e os prazos da investigação são normais - sustentou o presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF, Sandro Torres Avelar, na conversa que teve com os dirigentes oposicionistas nesta terça-feira, no gabinete d

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