Aos poucos, o menino gaúcho Iruan Ergui Wu, de oito anos, começa a se adaptar à rotina na casa da família brasileira, em Canoas (RS). Não acostumado com o fuso horário, a avó Rosa Leocádia Ergui conta que, nesta sexta-feira, o neto pegou no sono às 17h e acordou depois das 3h da madrugada e não dormiu mais. O menino comeu comida chinesa, brincou com o irmão João e falou por telefone com os parentes asiáticos.
A tia Patrícia Ergui aposta que o sobrinho vai se acostumar logo no Brasil. Está programado um encontro de despedida amanhã com as duas famílias em local não divulgado, para resguardar o garoto. A comitiva taiwanesa retorna segunda-feira ao seu país.
Em frente à casa de dona Rosa, muitas crianças e curiosos visitam o local, na curiosidade de ver o menino. Alguns jornalistas e fotógrafos permanecem de plantão, próximos à residência. Ontem, um amigo da família brasileira teve a iniciativa de intermediar um encontro da tia brasileira do menino e a tia taiwanesa, Patrícia Ergui e Lee Hua. As duas se encontraram na Escola Martinho Lutero, em Canoas. A tia taiwanesa aprovou a escola e contou que a família asiática tem muito carinho pelo menino e boas intenções, pois sabe que ele não tem mais os pais.
A promotora de Justiça de Canoas, Andréa Uequed, avaliou que a reaproximação do menino com a família taiwanesa não seria correto, neste primeiro momento. Segundo representantes do Ministério Público do Rio Grande do Sul, as visitas agora ficam a critério da avó materna.
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) disse estar satisfeita com o desfecho do caso. Ela afirmou que seu trabalho está encerrado e que a adaptação ficará por conta da família brasileira.
Aulas de mandarim
O diplomata de Taiwan no Brasil, Luis Chou, informou que Iruan terá aulas de mandarim uma vez por semana, com professores voluntários. O diplomata divulgou uma carta do presidente daquele país, Chen Shui-Bian, parabenizando a família brasileira pelo retorno do menino, numa aproximação diplomática entre os países.
Uma das advogadas contratadas pela família taiwanesa, Wu Chiu-Li disse que Iruan tem o direito de indenização de 2,5 milhões de dólares taiwaneses (cerca de R$ 250 mil ). Trata-se do seguro de vida pago pela empresa onde o pai de Iruan trabalhava. A advogada disse desconhecer a existência de três pesqueiros no Uruguai, em nome do capitão Wu, assunto que foi levantado por jornais asiáticos.
Um representante de Taipei disse que a entrega do menino foi protelada porque a família taiwanesa não sabia se Iruan teria uma vida melhor. Agora estão mais tranqüilos, devido ao apoio da família brasileira. O diplomata Paulo Pereira Pinto, do escritório comercial brasileiro em Taiwan, disse não saber da existência de dinheiro deixado pelo pai do menino. A avó brasileira também desconhecia a existência de bens deixados pelo pai de Iruan. Ela comprovou ter recursos financeiros para sustentar o menino.
A casa onde reside dona Rosa foi presenteada a Iruan pelo pai dele, para que a avó morasse com o menino, em um bairro de classe média. A mídia de Taiwan fez críticas ao Brasil. Os taiwaneses não gostaram das declarações da avó de Iruan, de que o menino só visitará Taiwan depois de completar 18 anos. Ainda não foi confirmada a ida de Iruan ao Gre-Nal neste domingo.