Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2026

Irmão de homem morto em Miami pede explicações a governo dos EUA

Sexta, 09 de Dezembro de 2005 às 09:17, por: CdB

O  irmão de um homem morto por agentes federais dos EUA no aeroporto de Miami expôs toda a sua ira na quinta-feira e disse que a família na Costa Rica exigirá uma explicação do governo norte-americano. Rolando Alpizar, 46, disse que os agentes não deveriam ter baleado seu irmão, Rigoberto Apizar, 44, pois se tratava de uma pessoa pacífica, que nunca tivera problemas com as autoridades.

- Estou indignado com uma situação que deveria ter sido tratada de forma diferente - disse Alpizar à Reuters em um subúrbio pobre de San José, a capital da Costa Rica.

As autoridades dizem que Rigoberto embarcou na quarta-feira em um vôo para Orlando dizendo ter uma bomba na bagagem. As autoridades posteriormente disseram que tal bomba não existia. A polícia do condado de Miami-Dade divulgou nota na quinta-feira segundo a qual a viúva de Rigoberto Alpizar contou que seu marido era maníaco-depressivo, que sofria do chamado transtorno bipolar. Rolando disse desconhecer qualquer problema psiquiátrico do irmão. Afirmou que era um homem bastante diferente do que vem dizendo a imprensa.

- Ele era amistoso, cuidadoso, feliz e sempre muito responsável. Ele trabalhava muito e era honesto. Nunca teve nenhum tipo de problema com as autoridades, nem mesmo uma multa de trânsito - disse Alpizar.

Alpizar pretende pedir às autoridades do seu país que solicitem uma explicação oficial ao governo dos EUA. Rigoberto vivia nos Estados Unidos há quase 20 anos e havia se naturalizado norte-americano. O caso dele lembra bastante a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, abatido em julho pela polícia britânica ao ser confundido com um homem-bomba. Aparentemente, o eletricista mineiro estava correndo para apanhar um trem do metrô, não para fugir da polícia ou para cometer atentados.
Alpizar, que trabalhava em uma loja de materiais de construção em Orlando, estava voltando do Equador, onde havia atuado como intérprete para um grupo de dentistas e oftalmologistas que prestavam assistência a comunidades carentes.

- Ele havia pedido uma folga para participar de um projeto humanitário - contou o irmão.

Alpizar disse ter entrado em contato com as autoridades para levar o corpo do irmão de volta à Costa Rica.

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