Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Irmandade Muçulmana não tem força no Egito mas tudo pode acontecer, diz especialista

A Irmandade Muçulmana no Egito aparenta não ter força ou legitimidade suficiente para uma tentativa de assumir o país, mas o desespero da sociedade abre caminho para um cenário onde tudo é possível, de acordo com o professor de história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em assuntos do Oriente Médio, Edgard Leite.

Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 09:35, por: CdB
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A Irmandade Muçulmana no Egito aparenta não ter força ou legitimidade suficiente para uma tentativa de assumir o país, mas o desespero da sociedade abre caminho para um cenário onde tudo é possível, de acordo com o professor de história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em assuntos do Oriente Médio, Edgard Leite. – Embora a sociedade esteja batalhando por mais empregos e oportunidades, e isso não pode ser alcançado por um regime religioso, existe sempre a possibilidade de uma guinada súbita, um tanto desesperada, na falta de uma alternativa laica não consistente – disse. Para Leite, os militares responsáveis por garantir a transição no Egito após a renúncia do presidente Hosni Mubarak representam uma força fundamental na retomada do controle de órgãos e políticas no país. Todas as pressões internas e externas, segundo ele, vão no sentido de que isso aconteça. – Sem dúvida, há uma necessidade de mudança na política da região em função dos desafios da modernidade. O Egito vive essa instabilidade desde os anos 50. Diante dos novos modelos internacionais vigentes, há uma necessidade de mudança institucional – explicou. Segundo ele, a expectativa maior é no sentido de que as mudanças aconteçam por meio do que chamou de “uma ocidentalização maior do modelo político”, como o que se configura experimentalmente no Iraque por meio do governo norte-americano. O professor elogiou o posicionamento do governo brasileiro em relação à queda de Mubarak e avaliou que o país, no âmbito internacional, deve sempre se colocar a favor da democracia e do fortalecimento dos direitos humanos. – Essa é a posição do ocidente como um todo, da ONU [Organização das Nações Unidas], dos países europeus. Todos esperam que a sociedade egípcia marche para uma coisa melhor do que o que é – disse. As próximas horas, de acordo com Leite, devem mostrar qual será o grau de abertura da junta militar para negociar, quem serão os interlocutores e quais as demandas do país. “São tantos problemas a serem resolvidos que, sem negociação, não adianta”, concluiu.
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