Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Irlanda quer ajuda para lidar com crise

A Irlanda pode precisar da ajuda de órgãos internacionais para lidar com a crise atual, mas precisa garantir que os termos de qualquer assistência financeira estejam certos. O presidente do banco central, Patrick Honohan, espera que o país receba dezenas de bilhões de euros em empréstimos de países europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), para ajudar seus bancos e estabilizar a economia.

Quinta, 18 de Novembro de 2010 às 09:32, por: CdB

A Irlanda pode precisar da ajuda de órgãos internacionais para lidar com a crise atual, mas precisa garantir que os termos de qualquer assistência financeira estejam certos, disse o ministro de Comunicações irlandês nesta quinta-feira. – Nós podemos precisar de ajuda dos nossos colegas internacionais e europeus para ajudar-nos a resolver a crise –, disse o ministro Eamon Ryan. – Nós recorremos aos nossos colegas europeus para conseguir assistência, isso não é um problema fundamenta. Mas o que nós precisamos fazer quando fizermos isso é acertar os termos e condições para que estejam dentro do interesse do povo irlandês. Já o presidente do banco central da Irlanda, Patrick Honohan, disse esperar que o país receba dezenas de bilhões de euros em empréstimos de países europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), para ajudar seus bancos e estabilizar a economia. Honohan falava nesta quinta-feira, pouco antes de conversas com a missão conjunta da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do FMI sobre um possível pacote de resgate financeiro. – A intenção e a expectativa são, da parte deles e, pessoalmente, de minha parte, que as negociações serão efetivas e que um empréstimo será disponibilizado e desenhado conforme o necessário –, disse ele à rede de TV estatal RTE. – Estamos falando de um empréstimo bastante significativo... de dezenas de bilhões, sim –, disse Honohan, reconhecendo que houve, desde abril, uma saída substancial de fundos do sistema bancário irlandês. Após dez dias de perdas, o mercado europeu de ações e de bônus se recuperavam, assim como o euro, por expectativas de que a Irlanda seja o segundo país da zona do euro (depois da Grécia) a ser resgatado para lidar com dívidas e déficits elevados. A ajuda pode variar entre 45 e 90 bilhões de euros, dependendo da necessidade de financiar apenas seus bancos ou a dívida pública também. Em sinal de negociações potencialmente difíceis, a França disse que a Irlanda pode ter de elevar o baixíssimo imposto corporativo de 12,5%, um tabu na política do país, em troca do pacote de assistência. O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, rejeita sugestões de que seu governo esteja discutindo um resgate que colocaria as finanças públicas sob supervisão da UE e do FMI. Um dos principais empresários da Irlanda, Michael O'Leary --diretor-executivo das linhas aéreas Ryanair-- disse que o governo é incapaz de comandar a economia e que os irlandeses deveriam agradecer a possibilidade de intervenção do FMI. – O país está falido. Nós estamos sendo resgatados agora. O governo mentiu para nós a semana inteira. Quando os bônus governamentais irlandeses estão rendendo quase 9 por cento e você pode tomar emprestado do FMI a 3%. A única saída é o FMI e, francamente, quanto mais cedo melhor –, disse O'Leary. A Irlanda disse que a conta para socorrer os bancos superaria 50 bilhões de euros. Os investidores, porém, temem que o número final seja ainda mais alto, dado o risco de atrasos de pagamentos de hipotecas, da efusão de depósitos e dos custos mais elevados de financiamento. Segundo alguns analistas, Dublin parece estar querendo ganhar tempo, em parte para evitar a humilhação política de pedir resgate antes das eleições parlamentares de 25 de novembro.

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