São cada vez mais frequentes as manifestações contra a troika na europa
O governo da Irlanda pediu à troika mais 10 bilhões de euros, dizendo ser apenas uma "rede de segurança" para garantir o regresso aos mercados. Na Eslovénia, o Governo vai encerrar dois bancos afogados em crédito tóxico para evitar o mesmo destino de Chipre e a entrada dos integrantes da troika, o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird, na sigla em inglês) no país.
O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, revelou na sexta-feira o montante do pedido de empréstimo que será discutido com a troika após a discussão do Orçamento para 2014, que envolve um corte de 3100 milhões na despesa, seguindo a receita do memorando assinado com a troika. Dez mil milhões de euros é o montante pedido pela Irlanda, que se poderá tornar o primeiro país a ter acesso ao Mecanismo de Estabilidade Europeu, um fundo de 500 mil milhões de euros.
Segundo o diário irlandês Independent, o governo está confiante em que a troika irá abrir a torneira do empréstimo sem impor novas condições em troca. Para o partido Sinn Féin, essa ideia não faz nenhum sentido.
– É bastante claro que isto está a ser negociado como um segundo resgate. Não é dinheiro grátis, haverá termos e condições – afirmou o porta-voz da legenda, Pearse Doherty.
Eslovênia: sistemafinanceiro afunda
O próximo país na lista da troika é a Eslovênia, que tenta a todo o custo evitar pedir dinheiro ao FMI, BCE e Comissão Europeia. Na sexta-feira, o ministro das Finanças anunciou ter dado garantias no valor de 1185 milhões de euros para reembolsar os depositantes do Probanka e Factor Banka, duas instituições de pequena dimensão.
O crédito tóxico da banca eslovena está avaliado em 7,5 bilhões de euros e as ameaças de colapso financeiro iminente, que persistem desde 2009, vão animando os especuladores nos mercados internacionais, fazendo a Eslovênia aproximar-se cada vez mais do lugar de próxima vítima da austeridade da troika.
Os responsáveis políticos justificaram a medida para marcar a diferença com o que aconteceu no Chipre, onde os depositantes foram chamados a pagar o buraco das contas dos seus bancos, para além de fortes limitações aos movimentos de capitais. Com as garantias dadas aos bancos eslovenos, o governo procurou evitar as imagens de corrida aos bancos e caixas ATM, que precipitariam o pânico em relação ao conjunto do frágil sistema financeiro. Este resgate público garante os depósitos por inteiro, mesmo os que ultrapassem o limite máximo de 100 mil euros da garantia que vigora na zona euro.
O Banco Central Europeu aprovou a decisão e disse em comunicado que ela visa "contribuir para a estabilidade do setor bancário esloveno". Os dois bancos são privados (num país onde a banca pública domina o mercado) e representam apenas 4,5% do sistema bancário esloveno.
Esta sexta-feira, os juros da dívida eslovena a 10 anos situavam-se nos 6,8%, bem acima dos 6% com que em maio passado a Eslovênia emitiu dívida no valor de 3,5 bilhões. Para além das dificuldades no crédito, os cortes orçamentários já em vigor têm deprimido o consumo interno e as exportações também sofrem ameaça de quebrar, apenas seis anos depois da Eslovênia ter sido o país com crescimento mais rápido da zona euro e apontada como um modelo a seguir pelos restantes países periféricos da moeda única.
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