Milhares de iraquianos planejam viajar neste fim de semana à Arábia Saudita para visitar os lugares santos islâmicos em sua primeira peregrinação a Meca depois da queda de Saddam Hussein e do início da ocupação do Iraque.
Segundo disse a EFE o imã da mesquita Al Galiani, na capital, Mahmud Al Esawi, cerca de 30.000 iraquianos devem ir este ano à principal cidade sagrada para os muçulmanos, quase o dobro dos 18.000 que viajaram em 2003, último em que a peregrinação foi organizada pelo antigo regime de Bagdá.
Ao contrário do que ocorreu no ano passado, os peregrinos não têm que contar com a autorização dos serviços secretos da polícia e, pela primeira vez, as mulheres podem viajar sem estar acompanhadas de maridos e parentes.
- Mais de 150.000 fiéis queriam viajar mas só os que foram sorteados o farão, de acordo com a cota que nos foi concedida pelas autoridades sauditas - disse o xeque Al Esawi, acrescentando que ontem partiram em ônibus os primeiros duzentos grupos.
Alguns dos comboios irão via Kuwait, país que os iraquianos não podiam pisar desde a expulsão do emirado das tropas do ex-líder de Bagdá -na Guerra do Golfo de 1991-, e cujo território os peregrinos atravessarão pela primeira vez nos últimos quatorze anos.
- Lhes pedi que roguem a Deus e ao espírito do Profeta Maomé para que ponham em breve fim à ocupação - afirmou o imã, cuja oposição ao antigo regime lhe valeu anos de prisão, mas que reconhece que "o que nos ocorre agora é muito pior do que poderíamos imaginar em nossos piores pesadelos".
- Através deles nossos irmãos muçulmanos conhecerão melhor nosso sofrimento - acrescentou Al Esawi, que em sua prédica pela amanhã desta Sexta-feira Santa islâmico criticou duramente a colaboração de alguns países árabes com a invasão que precedeu a atual ocupação pelas forças da coalizão internacional.
- Os ocupantes nos invadiram através do território de países vizinhos e nenhum deles nos prestou ajuda - denunciou.
Mahdi Eidan, de 63 anos de idade e ex-funcionário do aeroporto de Bagdá que partirá domingo a Meca, comentou à EFE que "vou pedir a Deus que tenhamos em breve água e eletricidade, porque não podemos continuar vivendo assim".
- É verdade que este ano é diferente dos anteriores, mas nprecisamos mais do que nunca da intervenção divina - acrescentou Eidan, que peregrinou pela primeira vez à cidade santa em 1997 e que está convencido de que "a ocupação aconteceu por encomenda de Deus, e também por encomenda de Deus deve terminar".
Ao lado da reza, da esmola, do jejum durante o mês de Ramadã e da proclamação de uma inquebrantável fé em Deus, a peregrinação pelo menos uma vez na vida a Meca é um dos cinco preceitos básicos do Islã.
De acordo com o calendário lunar, a peregrinação se iniciará este ano na última semana de janeiro e culminará no começo de fevereiro com o comparecimento em massa dos fiéis ao conhecido Monte Arafat, nas cercanias da cidade santa onde, segundo a tradição muçulmana, Adão e Eva voltaram a encontrar-se depois de sua expulsão do Paraíso.
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Sexta, 16 de Janeiro de 2004 às 10:15, por: CdB