Milhares de xiitas iraquianos fizeram uma manifestação de protesto na segunda-feira devido à informação de que parentes do suicida jordaniano acusado de ter matado 125 pessoas na cidade de Hilla o estavam considerando um mártir.
Eles invadiram a embaixada jordaniana em Bagdá e rasgaram a bandeira da Jordânia. Também pediram a todos os árabes estrangeiros que deixem seu país e criticaram o rei Abdullah, da Jordânia.
O sentimento antijordaniano vem aumentado desde a identificação do acusado por explodir uma bomba ao lado de uma fila de candidatos a emprego na cidade de xiita de Hilla, no mês passado, no pior ataque desde a guerra.
O braço da Al Qaeda no Iraque, liderado pelo também jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, reivindicou responsabilidade sobre o ataque.
O governo iraquiano disse num comunicado que condena veementemente as "manifestações de alegria" da família de Banna.
"O primeiro-ministro Iyad Allawi conversou pessoalmente com o primeiro-ministro da Jordânia hoje e pediu uma resposta às atividades da família, já que elas estão afetando as relações entre os povos iraquiano e jordaniano", afirmou o comunicado.
Os protestos reuniram centenas de pessoas em Bagdá e milhares em Najaf, cidade espiritual dos xiitas.
O governo do Iraque diz que militantes muçulmanos sunitas de países como Jordânia, Síria e Arábia Saudita estão executando ataques suicidas contra os xiitas para deflagrar uma guerra civil.
Até agora, os líderes xiitas vêm pedindo a seus seguidores que contenham suas reações.
Em Amã, a agência estatal Petra citou declarações do primeiro-ministro, Faisal al-Fayez, afirmando que está ao lado do povo iraquiano na luta contra o terrorismo que ataca civis inocentes.
Mas a tentativa de acalmar os iraquianos teve pouco sucesso nas ruas de Bagdá e Najaf.
- Pedimos ao governo iraquiano que feche todas as embaixadas árabes - disse um manifestante na Cidade de Sadr, bairro xiita de Bagdá, enquanto outros gritavam slogans contra a Síria.
Segundo a agência Petra, o Ministério do Interior jordaniano mandou prender o jornalista que escreveu a reportagem sobre a identidade do suicida, acusando-o de dar informações falsas e colocar em risco o país.
O jornal, o Ghad, publicou uma correção no sábado dizendo que a família de Banna negava que ele tivesse executado o ataque de Hilla, e que só sabia que ele tinha realizado uma missão insurgente.
De toda forma, os protestos demonstram a crescente insatisfação dos iraquianos com os problemas de segurança. Eles esperavam que as eleições lhes dessem um novo governo com uma estratégia para combater os ataques suicidas, os sequestros e as decapitações. Mas, após a vitória xiita nas urnas, os políticos debatem há semanas com a coalizão curda, num impasse, para chegar a um acordo sobre a formação da nova administração.
Enquanto isso, a violência continua. Um suicida explodiu seu carro num posto policial e do Exército ao sul de Bagdá na segunda-feira, matando dois policiais e dois civis na cidade de Yusufiya. Em Mosul, as Forças Armadas dos EUA disseram que dois civis iraquianos foram mortos em combates entre insurgentes e soldados americanos que estavam num helicóptero.
Atiradores sequestraram e mataram um cinegrafista que trabalhava para uma emissora curda em Mosul.
- Eles tentaram usá-lo para chegar a outros funcionários, mas ele se recusou e eles descarregaram suas armas nele diante dos transeuntes - disse o gerente da emissora, Akram Suleiman.
Iraquianos fazem protesto anti-Jordânia por causa de ataque
Segunda, 14 de Março de 2005 às 13:01, por: CdB