Os iraquianos ficaram satisfeitos com a formação do novo governo do país, depois de muito atraso, mas afirmaram que o pior desafio ainda continua -- combater a violência, recuperar o fornecimento de energia e manter as hostilidades sectárias sob controle.
- Esperamos minuto a minuto por este momento. Nossa paciência acabou. Queremos segurança e estabilidade - disse o vendedor Ahmed Chaloob, de 27 anos.
- Pedimos ao governo que restaure a segurança e os serviços públicos.
O Iraque formou na quinta-feira seu primeiro governo democraticamente eleito em mais de 50 anos, pondo fim a mais de três meses de um impasse político que atrapalhou os esforços para combater os ataques suicidas a bomba, sequestros e problemas econômicos.
O Parlamento de 275 cadeiras votou em peso no gabinete proposto pelo primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari, acabando com o vácuo de poder que reinava desde as eleições, em 30 de janeiro.
Milhões de iraquianos desafiaram o perigo das ameaças para ir às urnas, com a esperança de estar votando na estabilidade do país. Os moradores de Bagdá ficaram aliviados de finalmente ter uma liderança, após tantos meses de disputas sobre a distribuição dos ministérios entre xiitas, sunitas e curdos.
- Estou feliz e otimista com o futuro do Iraque - disse Iyad al-Baqaal, de 35 anos, vendedor de produtos elétricos.
- O governo representa a diversidade do Iraque. Todos os setores participaram.
A invasão norte-americana, em 2003, acabou com o domínio de Saddam Hussein e dos sunitas, e agora é a maioria de xiitas e curdos que ocupa o poder, depois de anos de opressão.
O fato de possuir um governo democraticamente eleito distingue o Iraque de outros países árabes, onde as eleições costumam ser unipartidárias.
Mas alguns iraquianos questionaram se o novo governo foi composto com base em qualificações ou apenas na lealdade sectária.
- Formar o governo é um passo importante. Mas estou pessimista - disse Nasr Saeed, de 37 anos, funcionário de uma construtora.
- Não é um governo de unidade nacional, mas sim um sectário e racista.
Outros estão mais preocupados com o desemprego e com a violência.
- Depois de todo esse tempo, acho que devia dar os parabéns - disse o desempregado Shakir Ali, com ironia, numa fila por um trabalho que paga 5 dólares ao dia.
- O que aconteceu nos últimos dois anos? Se você quiser um emprego, precisa pagar suborno ou ter um amigo num ministério. Não estamos interessados em política, e sim em ganhar dinheiro e encontrar empregos para alimentar nossas famílias.
O fato de o premiê não ter nomeado ministros definitivos para cinco pastas importantes, incluindo a de Petróleo e de Defesa, foi encarado como indecisão pelos iraquianos.
- Todos esses meses não foram suficientes para formar um governo completo? - perguntou o aposentado Suha Mohammed, de 60 anos, da aliança xiita que venceu a eleição.
Iraquianos elogiam governo, mas continuam ansiosos com futuro
Quinta, 28 de Abril de 2005 às 13:48, por: CdB