Quando as tropas norte-americanas invadiram o Iraque há um ano para derrubar Saddam Hussein, o guarda de trânsito Saad Mutachar recebeu uma AK-47 de seu chefe para ajudar a defender Bagdá contra as armas de guerra dos Estados Unidos.
``Ele me deu um capacete e uma Kalshnikov e me fez ficar montado guarda na rua'', disse Mutachar, 30. ``Quando soube que os norte-americanos estavam nos arredores de Bagdá, deixe o capacete e o rifle na rua e fui para casa.''
No primeiro aniversário da invasão, muitos iraquianos afirmam que suas vidas melhoraram agora que estão livres de Saddam Hussein. Mas muitos outros dizem que um ano de bombardeios suicidas, atentados indiscriminados e a falda de leis os deixou traumatizados e com medo.
Para Mutachar, a guerra trouxe mudanças positivas. ``A vida é muito melhor agora. Tenho um bom salário e os norte-americanos nos deram uniformes novos'', disse. Mas há um problema:
``As pessoas não respeitam mais as regras de trânsito.''
Os líderes norte-americanos insistem que a guerra melhorou a sorte dos iraquianos e a derrubada de Saddam significou o fim de uma fonte de instabilidade na região.
Mas estima-se que entre 8.500 e 10.400 civis e outros 6.300 soldados iraquianos foram mortos desde o início da guerra.
Nihad Saed, uma média de 36 anos, mãe de três filhos, não que o trauma da guerra valeu a pena. Ela ficou aterrorizada quando os mísseis dos EUA caíram sobre o centro de Bagdá em 20 de março do ano passado enquanto as tropas invasoras cruzavam a fronteira.
``Eu me tranquei com meus filhos e meu marido num quartinho. Nós tentamos acalmar as crianças, mas assim que ouviam o barulho das explosões, elas começavam a chorar'', afirmou. ``Foi a pior experiência da minha vida.''
Um ano depois, ela ainda não se sente segura. ``Esperávamos que um novo Iraque emergisse da guerra, mas tudo o que se seguiu foi destruição, saques e caos'', disse.
Muhanad Salem um estudante de 23 anos, afirma que odiava Saddam, mas odeia também o Iraque sem lei do pós-guerra. ''Quando ouvi as primeiras explosões, fiquei feliz e amedrontado ao mesmo tempo, feliz porque sabia que Saddam estaria acabado no final da guerra... e com medo dos bombardeios e do que poderia acontecer conosco depois de os norte-americanos ocuparam nossas cidades'', disse.
``Um ano depois, ainda estamos temerosos com relação ao nosso futuro. Há bombas e explosões por toda parte. Não temos segurança.''