Um iraquiano que já tinha denunciado abusos das tropas da coalizão no Iraque voltou hoje, sexta-feira, a acusar as tropas britânicas de torturar seu filho até a morte e insistiu que depois lhe ofereceram uma compensação econômica.
Dawood Salim relatou sua tragédia ao canal de televisão estabelecido em Dubai "Al Arabiya" em um momento no qual o assunto das torturas se tornou o mais polêmico da guerra do Iraque após a revelação dos maus-tratos na prisão de Abu Ghraib.
Salim contou que os soldados britânicos detiveram sem motivo seu filho, Bahaa Dawood Salim Mussa, e outros seis iraquianos no dia 14 de setembro de 2003 quando trabalhavam no hotel "Ibn al-Haizam", de Basra.
"Após dois dias de tortura, ele estava morto. Vi o corpo do meu filho. Tinha o nariz quebrado e três costelas partidas. Também havia marcas de queimaduras", explicou o pai.
"O comando me pediu desculpas em um documento, do qual guardo cópia, por ter matado meu filho sem nenhuma razão no centro de detenção. E me ofereceu 3.000 dólares como compensação", acrescentou.
Em Londres, o Ministério da Defesa admitiu que ofereceu tal quantia à família e que os pais da vítima aceitaram.
Mas advertiu que a compensação não implicava a culpa de membros das Forças Armadas britânicas e que era uma questão de tradição local.
O ministério acrescentou que a compensação foi uma das três oferecidas neste caso particular -não identificou as outras duas- e que tinham sido feito pagamentos em outros casos.
O escândalo das torturas colocou o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e seu Governo em uma situação complicada depois que a imprensa publicou fotos nas quais soldados britânicos aparecem torturando presos.
Blair e membros de seu Governo prometeram uma investigação e disseram que as fotografias podem ser "falsas".