O Iraque introduziu hoje, terça-feira, uma emenda no projeto de declaração da primeira cúpula entre a América do Sul e os países árabes com a qual pretende garantir apoio ao projeto político do governo de Jalal Talabani.
A emenda, que segundo o ministro iraquiano de Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, foi "admitida", pode se tornar inviável amanhã para alguns líderes sul-americanos, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que chamou em público o Governo iraquiano de "fantoche" dos Estados Unidos.
A minuta da Declaração de Brasília a que a EFE teve acesso hoje destaca que a cúpula "enfatiza a importância do respeito à unidade, à soberania e à independência do Iraque, além da não ingerência em seus assuntos internos".
Além disso, expõe "o respeito à vontade dos iraquianos de decidir seu futuro, expressada através das eleições do 30 de janeiro (último), que são concebidas como a melhor via para a transmissão pacífica do poder e o estabelecimento de um Estado constitucional e um governo democrático".
Esta formulação não pareceu suficiente, no entanto, ao novo governo iraquiano, designado há apenas um mês e que busca em Brasília um apoio mais explícito.
Assim, o Iraque quer incluir na declaração final um parágrafo para que a cúpula "reafirme seu apoio ao governo de transição iraquiano eleito e inste a comunidade internacional a respaldar este Executivo em seus atuais esforços em busca da estabilização e da reconstrução do país".
Fontes diplomáticas em Brasília afirmaram hoje que a emenda, da forma como foi redigida, é uma extensão da política dos Estados Unidos e pode ser rejeitada por Chávez.
Na chegada a Brasília, hoje, o presidente venezuelano respondeu que não podia se pronunciar sobre "assuntos tão sensíveis" sem ter lido com atenção o texto.
Zebari, por sua vez, declarou à EFE que espera que a cúpula sirva para aparar arestas com a América do Sul onde a maioria, inclusive o Brasil, manifestou oposição à invasão americana ao Iraque.