O Iraque poderá fazer concessões significativas para atender demandas dos inspetores de armas que ainda não foram atendidas, segundo fontes da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá. Na quinta-feira, os inspetores da ONU fizeram sua primeira entrevista com um cientista iraquiano sem a presença de um representante do governo local. Fontes da ONU disseram que autoridades iraquianas haviam indicado que novas concessões tinham sido preparadas para a visita, amanhã, de Hans Blix, chefe da missão de inspetores no Iraque, e Mohammed El-Baradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O correspondente da BBC em Bagdá disse que entre as prováveis concessões estão o uso de aviões de vigilância U-2 e a cooperação para arranjar novas entrevistas privadas com cientistas. Denúncia antecipada No entanto, o presidente americano, George W. Bush, denunciara antecipadamente esse tipo de movimento do Iraque. Ele disse que esperava novos esforços para adiar e confundir a situação. O correspondente da BBC em Washington disse que será essa a interpretação que o governo dos Estados Unidos vai dar a essa mudança na atitude do Iraque. Bush tinha dito que o líder iraquiano Saddam Hussein vai tentar manter até o último minuto "um jogo de trapaças", mas, segundo o presidente americano, "o jogo acabou." Em um pronunciamento à imprensa, Bush disse que uma nova resolução da ONU contra o governo iraquiano seria bem-vinda. "Os Estados Unidos dariam as boas-vindas e apoiariam uma nova resolução que deixe claro que o Conselho de Segurança (da ONU) sustenta suas exigências anteriores", declarou o presidente americano. Exigências O presidente americano cobrou uma ação das Nações Unidas e disse que o Conselho de Segurança precisa mostrar que "suas palavras têm valor". "Ao fazer exigências, o Conselho de Segurança não pode voltar atrás quando essas exigências são desafiadas e ridicularizadas por um ditador", disse Bush. "Saddam Hussein recentemente autorizou comandantes iraquianos a utilizar armas químicas, as mesmas armas que o ditador diz ao mundo não possuir". "Saddam Hussein tem o motivo, os meios, a imprudência e o ódio para ameaçar o povo americano. Saddam Hussein precisa ser contido", afirmou o presidente dos Estados Unidos. Última chance Acompanhado pelo secretário de Estado americano, Colin Powell, Bush disse que a ameaça representada pelo líder iraquiano Saddam Hussein coloca em risco o mundo inteiro. "Saddam Hussein recebeu uma última chance. Ele está jogando fora essa chance. O ditador do Iraque está fazendo sua escolha", afirmou. Bush também voltou a afirmar que os Estados Unidos não vão esperar para ver o que Saddam Hussein pode fazer com armas químicas. "Os Estados Unidos, junto com uma crescente coalizão de nações, estão decididos a adotar a ação que for necessária para nos defender e desarmar o governo iraquiano." Tropas Logo após o pronunciamento de Bush, autoridades militares de Estados Unidos e Grã-Bretanha anunciaram uma nova movimentação de tropas no Golfo Pérsico. As Forças Armadas americanas enviaram mais 23 mil soldados e o porta-aviões USS Kitty Hawk para a região. Os britânicos colocaram em alerta um terço de seus aviões de combate. Mais de 200 mil soldados americanos e cerca de 40 mil britânicos estão agora nas imediações do Golfo Pérsico ou a caminho da região. Nesta sexta-feira, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, chega à Europa para uma visita à Itália e à Alemanha em uma nova tentativa do governo americano de conquistar apoio contra o Iraque.
Iraque pode fazer novas concessões
O Iraque poderá fazer concessões significativas para atender demandas dos inspetores de armas que ainda não foram atendidas, segundo fontes da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá. Na quinta-feira, os inspetores da ONU fizeram sua primeira entrevista com um cientista iraquiano sem a presença de um representante do governo local.
Sexta, 07 de Fevereiro de 2003 às 11:57, por: CdB