O Iraque quer que a comunidade internacional envie mais rapidamente a ajuda prometida a fim de enfrentar a instabilidade no país, disseram autoridades iraquianas na terça-feira.
Ao mesmo tempo, essas autoridades reconheceram a necessidade de tornar mais transparente a administração dessa ajuda para combater os "desastrosos" níveis de corrupção no país.
"O Iraque tem grandes carências no que diz respeito aos serviços básicos. Há falta de infra-estrutura na área da saúde, da segurança e outras", disse o primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim al-Jafaari, às vésperas de uma conferência organizada pelos EUA e pela União Européia (UE).
"Esperamos que essa conferência direcione as energias e aumente a ajuda em potencial", disse o premiê à Reuters antes de se reunir com a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, que acabava de chegar de uma visita ao Oriente Médio.
A idéia de realizar o encontro apareceu depois de o presidente dos EUA, George W. Bush, ter visitado Bruxelas em fevereiro, quando a França e a Alemanha, países contrários à guerra no Iraque, prometeram treinar membros das forças de segurança iraquianas.
O ministro das Relações Exteriores do país árabe, Hoshiyar Zebari, disse em um encontro de embaixadores que o governo iraquiano estava comprometido em cumprir o prazo para a elaboração de uma nova Constituição, a ficar pronta até a metade de agosto.
O texto, então, seria submetido a um plebiscito popular, previsto para outubro. Em dezembro, o país deve realizar eleições gerais.
"Acreditamos que isso terá um impacto na situação da falta de segurança", disse o chanceler.
A violência no país árabe, porém, não diminuiu até agora, apesar de vários dos prazos previstos no processo de transição terem sido cumpridos, entre os quais o da realização das eleições de janeiro.
Zebari disse também que as forças iraquianas poderiam preencher as lacunas criadas pela eventual retirada de parte dos 135 mil soldados norte-americanos estacionados no país, no próximo ano, como aventou um oficial de alta patente das Forças Armadas dos EUA.
"Seria compreensível que alguns dos soldados (norte-americanos) sejam retirados em 2006, porque então nossas forças serão maiores", afirmou o chanceler.
No entanto, militares norte-americanos afirmaram recentemente ter dúvidas sobre a capacidade de as forças iraquianas, dentro em breve, conseguirem enfrentar os insurgentes.
O ministro das Finanças do Iraque, Ali Allawi, pediu que o mundo acelere o envio da ajuda prometida.
"Esperamos ansiosos pela chegada de mais fundos da UE e da ajuda de outros países", disse o ministro.
Segundo Allawi, o país árabe conseguiria administrar melhor a ajuda agora porque estava combatendo a corrupção, que atingia, nas palavras do vice-presidente do Parlamento iraquiano, Hussain al-Shahristani, "níveis desastrosos".
Apenas uma pequena parte dos 15 bilhões de dólares prometidos em ajuda, quantia essa que não inclui as doações dos EUA, foi gasta até agora, e isso devido à violência, a desentendimentos entre os doadores e à corrupção no Iraque, disseram autoridades iraquianas.