Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Iraque lança operação para recuperar segurança em Bagdá

Milhares de soldados do Exército americano e do Iraque se posicionaram, nesta quarta-feira, nas principais ruas de Bagdá como parte do plano de segurança do primeiro-ministro Nouri al-Maliki. (Leia Mais)

Quarta, 14 de Junho de 2006 às 07:43, por: CdB

Milhares de soldados do Exército americano e do Iraque se posicionaram, nesta quarta-feira, nas principais ruas de Bagdá como parte do plano de segurança do primeiro-ministro Nouri al-Maliki.

A operação, chamada Avançando, visa a acabar com a insurgência e as ações dos grupos terroristas em Bagdá e nos arredores da cidade, como passo prévio ao restabelecimento da segurança no resto do país.

Desde começo da manhã, centenas de militares tomaram posições em diversas partes da capital, onde instalaram controles adicionais de veículos.

Segundo a TV pública iraquiana, o posicionamento de tropas foi dificultado por confrontos menores ocorridos em algumas partes da capital.

Em Bagdá, que tinha cinco milhões de habitantes antes do início da guerra, em 2003, muitos temem que a campanha de segurança produza novos enfrentamentos entre os xiitas e a minoria árabe sunita, especialmente quando começarem as anunciadas operações em regiões suspeitas.

Embora o Governo de Bagdá não tenha dado, até o momento, o número de soldados postados, a TV pública afirmou que participarão 40 mil militares - dos exércitos dos EUA e do Iraque, bem como das tropas do Ministério do Interior.

- Todo o mundo espera que o plano seja proveitoso, mas temos medo das operações que serão realizadas em nossas casas - disse Assad Yahya, ex-membro do dissolvido Exército do regime de Saddam Hussein.

- O melhor da nova campanha é que todos os soldados que participarem dela não usarão máscaras, como antes, portanto vai dar para reconhecer as pessoas - disse Samer, um iraquiano de 20 anos.

Além disso, Samer se mostrou esperançoso de que o plano lançado pelo Governo de Maliki "ponha fim a esta era de terror, que nos persegue até na cama".

Ele se referia à onda de atentados e seqüestros que sacudiu Bagdá e o resto do país nos últimos meses, após o ataque, em 22 de fevereiro, contra um santuário xiita na cidade de Samarra, 125 quilômetros ao norte da capital.

O plano inclui a imposição do toque de recolher em Bagdá e em seus arredores entre as 21h e as 6h, como parte das medidas para acabar com a onda de violência diária que já custou a vida de milhares de pessoas.

Também prevê a proibição do trânsito na capital às sextas-feiras, entre as 11h e as 15h, período no qual milhares de fiéis vão orar nas mesquitas.

A operação faz parte das medidas anunciadas por Maliki quando tomou posse como primeiro-ministro. Na ocasião, ele assegurou que o restabelecimento da paz seria sua primeira prioridade no Executivo.

A campanha de segurança começou um dia depois da visita de surpresa do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a Bagdá, onde o líder americano deu todo seu apoio ao Governo de Maliki, e sete dias depois da morte de Abu Musab al-Zarqawi, líder da Al Qaeda no país, em um ataque aéreo americano.

No entanto, e apesar do enorme esquema de segurança em Bagdá, a explosão de um carro-bomba matou hoje duas pessoas e feriu a outras dez, entre elas cinco policiais.

A explosão aconteceu no bairro de Hai al-Qahera, no norte de Bagdá, e também deixou grande prejuízo material.

- O plano é uma campanha que tem o objetivo de garantir a segurança das pessoas em seus lares, mas também é humanitário, pois se a situação for estabilizada, poderemos fornecer os serviços básicos à população, e o retorno dos iraquianos que abandonaram Bagdá - disse Maliki

O premier também anunciou que o Governo lançará amanhã uma "iniciativa de reconciliação nacional global" que pode incluir contatos com alguns dos grupos rebeldes que operam no país.

- O Governo, de acordo com esta iniciativa, anunciará sua disposição a abrir um diálogo com alguns grupos armados cujas mãos não estejam manchadas de sangue - afirmou Maliki.

Tags:
Edições digital e impressa